Pais de vítimas do Sandy Hook processam rei das teorias da conspiração

Alex Jones, autor de um programa de rádio e do site de teorias da conspiração Infowars, tem defendido a ideia de que o massacre de Sandy Hook nunca aconteceu

Três pais de crianças que morreram no tiroteio na escola primária Sandy Hook, em 2012, processaram Alex Jones, o mais famoso e influente autor de teorias da conspiração nos EUA, por difamação. Alex Jones defende que o massacre "foi totalmente falso" e uma "fraude" feita por aqueles que são contra o uso de armas.

O autor do site de teorias da conspiração Infowars e do programa de rádio Alex Jones Show tem questionado a veracidade do tiroteio que matou 20 crianças e seis adultos, em Newtown, Connecticut. Os pais cansaram-se de ouvir estes ataques e decidiram processá-lo por difamação, pedindo cada um milhão de dólares (870 mil euros) por danos, referem jornais norte-americanos.

Os dois processos foram interpostos por Leonard Pozner e a ex-mulher, Veronique De La Rosa, e por Neil Heslin. Os seus filhos, Noah Pozner e Jesse Heslin, tinham ambos 6 anos quando morreram no tiroteio. Alex Jones tem visado os depoimentos destes pais para defender que o tiroteio nunca aconteceu.

No caso da família Pozner, Alex Jones defendeu que a entrevista dada por Veronique De La Rosa a Anderson Cooper da CNN era encenada. Tudo porque numa da filmagens feitas no local, o nariz do jornalista desaparece quando se coloca de perfil para olhar para a mãe de Noah Pozner. A justificação da CNN é que se trata de um problema técnico na codificação do vídeo, para Alex Jones é a prova de que a entrevista foi gravada num cenário projetado. A sua teoria foi exposta no programa de rádio a que chamou "Vampiros de Sandy Hook Denunciados", que foi para o ar a 22 de abril de 2017.

Em junho foi a vez de atacar a família Heslin. Num perfil de Alex Jones, Neil Heslin disse que tinha segurado o filho morto com uma bala na cabeça nos braços. Uma semana mais tarde, Owen Shroyer, do site Infowars publicou um vídeo onde argumentava que tal não era possível, uma vez que a vítimas foram reconhecidas por fotografias. O advogado das famílias já veio lembrar que as crianças foram devolvidas às famílias para os funerais.

"Depois destas pessoas terem passado por este trauma, foram ainda atormentados durante cinco anos por Alex Jones e as suas mentiras perversas sobre eles", referiu o advogado das famílias, Mark Bankston, ao Huffington Post.

Este processo acontece depois de Lucy Richards, da Florida, ter sido condenada em junho de 2017 a cinco meses de prisão por ter ameaçado a vida de leonard Pozner. Como parte da sentença, a mulher que então tinha 57 anos, ficou ainda impedida de aceder ao site Infowars.

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