Novo serviço de notícias do Facebook inclui site de extrema direita na imprensa de referência

A rede social está a colocar o site Breitbart, conhecido pelo seu discurso associado à extrema-direita e a teorias da conspiração, na mesma categoria de meios de comunicação como o New York Times, o Washington Post ou a CBS News.

A nova aplicação do Facebook dedicada às notícias inclui o site de extrema-direita Breitbart como uma referência jornalística, colocando-o na mesma categoria de jornais como o New York Times ou o Washington Post. A plataforma, ainda em fase de teste, foi lançada esta sexta-feira, mas já está a gerar polémica.

"Acredito profundamente no bem social do jornalismo, nunca foi tão importante como hoje. Precisamos de notícias para escrutinar os poderosos, documentar de forma rigorosa os acontecimentos e descobrir novas verdades. Isto torna a nossa sociedade melhor". Foi assim que Mark Zuckerberg, o diretor executivo do Facebook, apresentou o novo projeto, uma resposta às críticas sobre a propagação de fake news de que a rede social tem sido alvo.

A funcionalidade será gerida por uma equipa de editores profissionais e estará separada do feed habitual. Em comunicado oficial, o Facebook explica que esta área será dividida em três secções: notícias do dia, notícias personalizadas, tópicos e subscrições. Há ainda a possibilidade de controlar que fontes, temas ou artigos o leitor não quer ver.

A empresa pagará por ano entre um a três milhões de dólares aos meios de comunicação para apresentar as notícias, segundo a Bloomberg. "Se um jornal publicar informações falsas, não aparecerá", indica Mark Zuckerberg, num artigo publicado no New York Times onde explica o projeto.

O Facebook News contará com mais de 200 meios de comunicação como parceiros, como o New York Times, o BuzzFeed, o Washington Post, o Wall Street Journal, a Elle, a People, a ABC, a CBS News, a Fox News. E o site Breitbart News, conhecido por publicar artigos com tendências de extrema direita, teorias da conspiração e onde são promovidos discursos anti muçulmanos e contra imigrantes, por exemplo. "Somos uma plataforma para a alt-right [direita alternativa]", descrevia, em 2016, Steve Bannon, estratega de campanha de Donald Trump e um dos fundadores do Breitbart.

Reagindo à inclusão deste site de informação na lista de fontes credíveis para notícias pelo Facebook, Joe Bernstein, jornalista do BuzzFeed, escreveu sexta-feira no Twitter: "Uma forma de ver a nomeação do Breitbart como fonte credível: uma investigação minha, há dois anos, continha revelações tão danosas para a credibilidade do fundador do Breitbart Robert Mercer que ele teve que se demitir de CEO do seu hedge fund. Mas pelos vistos isso chega para Zuck & Co".

Durante o lançamento do Facebook News, em Nova Iorque, Zuckerberg recusou-se a comentar a inclusão do Breitbart News na nova ferramenta. No entanto, afirmou que "para uma fonte ser confiável tem de ter diversidade de pontos de vista dentro".

Cinco horas a dar explicações

Na passada quarta-feira, Mark Zuckerberg compareceu à comissão dos serviços financeiros da Câmara dos Representantes e durante cinco horas teve de responder a uma série de perguntas que o deixaram pouco à vontade, nomeadamente, sobre o combate à desinformação. Mas também sobre o o projeto da criptomoeda Libra e sobre as práticas da empresa em relação aos empregados.

Alexandria Ocasio-Cortez, a congressista mais nova de sempre, perguntou a Zuckerberg se um anúncio de um político pode conter uma informação errónea sobre a data das eleições. "Se alguém, incluindo um político, disser coisas que possam causar violência ou correr o risco de causar danos físicos iminentes ou supressão de votos ou do censo, nós vamos retirar esse conteúdo", disse o empresário, numa aparente contradição com o que defendera momentos antes, isto é, que a empresa não controla os anúncios políticos. Questionado sobre se vê na não verificação de factos um potencial problema, respondeu: "Acho que mentir é mau. Na nossa posição, a coisa certa a fazer não é impedir que os seus eleitores ou pessoas numa eleição vejam que mentiu.

"Uma percentagem muito pequena do nosso negócio é composto por anúncios políticos não chega nem de perto para justificar uma tal controvérsia", disse Zuckerberg. "Isto não é realmente pelo dinheiro", enfatizando que as defesas do Facebook contra a desinformação são mais "sofisticadas do que qualquer outra empresa tem neste momento, e francamente, que os governos".

A representante por Nova Iorque perguntou ainda como é que o Facebook contratou o Daily Caller, "uma reconhecida publicação com ligações a supremacistas brancos", para fazer fact-checking, ao que Zuckerberg disse que é uma organização independente que escolhe as empresas para verificação de factos.

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