Nancy Pelosi enfrenta teste para voltar a ser líder da Câmara dos Representantes

Criticada por alguns democratas e elogiada por Trump, congressista de 78 anos não tem adversários à nomeação dentro do partido. Mas esses críticos ainda podem ainda bloquear a sua eleição, a 3 de janeiro.

A democrata Nancy Pelosi deve ultrapassar hoje o primeiro teste para voltar a ser a líder da Câmara dos Representantes dos EUA. Apesar do aumento das vozes críticas dentro do Partido Democrata em relação à congressista de 78 anos, não há adversários à sua nomeação numa votação secreta à porta fechada.

Mas Pelosi ainda não pode cantar vitória: a eleição oficial será só a 3 de janeiro, quando os novos membros da Câmara tomarem posse, e precisará então de conseguir a maioria de votos, entre democratas e republicanos. Nesse momento, só pode perder 17 votos entre os membros do seu partido (partindo do princípio que todos os republicanos votam contra ela).

A congressista liberal de São Francisco, alvo frequente das críticas republicanas mas elogiada pelo presidente Donald Trump, enfrenta uma pequena fração do partido que não quer que ela regresse ao cargo que ocupou entre 2007 e 2011. Foi a primeira mulher líder da Câmara dos Representantes (speaker).

"Consigo garantir a Nancy Pelosi quantos votos ela precisar para ser speaker da Câmara dos Representantes. Ela merece esta vitória, ela ganhou-a - mas há quem, no partido dela, que estão a tentar tirar-lha. Ela vai ganhar!", escreveu Trump no Twitter a 17 de novembro.

Uma das vozes críticas é a de Kathleen Rice, de Nova Iorque, que admitiu aos jornalistas na terça-feira que os rebeldes democratas não iam conseguir travar a nomeação de Pelosi na reunião desta quarta-feira. Mas que podiam bloquear a sua eleição a 3 de janeiro. "Sabemos o que vai acontecer amanhã. O tema será se ela consegue os votos no plenário. E ela não tem os votos", afirmou.

Na nomeação de hoje, ninguém se apresentou para disputar o cargo com Pelosi, que pediu para mudar as regras e permitir que os congressistas votem "não" na sua nomeação, segundo o site Politico. Isso permite que os representantes que fizeram campanha com uma plataforma de oposição a Pelosi possam voltar aos seus distritos eleitorais e dizer que votaram contra ela. A fação anti-Pelosi diz que uma vitória será "cerca de 20 votos 'não'" na eleição interna desta quarta-feira.

Pelosi, que é considerada uma especialista em negociar acordos, conseguiu em 2010 fazer passar o Obamacare. Um argumento para cerca de uma dúzia de novos congressistas, que lhe declararam o seu apoio. "Ela garantiu cuidados de saúde a milhões de americanos, e os eleitores voltaram a dar-nos a maioria em parte por causa das nossas promessas de proteger e alargar o acesso das pessoas a esses cuidados", indicaram numa carta, que termina com um apelo à "união" dos democratas.

A congressista de São Francisco alega que ela é a melhor qualificada para voltar a ser speaker, rejeitando as exigências dos críticos que existem uma nova liderança, mais jovem. Os democratas recuperaram o controlo da Câmara dos Representantes nas eleições intercalares de 6 de novembro, que foram vistas como um referendo à presidência de Trump, conquistando pelo menos 38 lugares - há ainda algumas corridas que não foram declaradas. Os republicanos reforçaram a sua liderança no Senado.

Na reunião à porta fechada serão escolhidos ainda outros líderes do partido democrata no Congresso: o do Caucus Democrata (a bancada democrata na Câmara dos Representantes) e o do Comité de Campanha Democrata para o Congresso (que trabalha para eleger os congressistas).

Para o primeiro caso, a corrida é entre Barbara Lee, da Califórnia, e Hakeem Jeffries, de Nova Iorque. Para o segundo cargo há quatro candidatos: Cheri Bustos (Illinóis), Denny Heck (Washington), Suzanne DelBene (Washington) e Sean Patrick Maloney (Nova Iorque).

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