Macron está "impaciente" com a falta de resposta da Alemanha para reformar a UE

O presidente francês disse que a França está a ficar "impaciente" com a falta de resposta de Berlim às propostas de reforma da União Europeia.

"Eu não estou frustrado, eu estou impaciente. Temos um historial de espera por respostas" um do outro, disse Emmanuel Macron, em resposta à pergunta se sentia frustração com o silêncio da chanceler Angela Merkel sobre as suas propostas de reforma da União Europeia.

"O que é fundamental nos próximos anos é avançar muito mais depressa em questões de soberania a nível europeu", disse o chefe de Estado francês na Conferência de Segurança de Munique.

Há muito que Macron pressiona para uma revisão ambiciosa da União Europeia em resposta à saída do Reino Unido do clube europeu, incluindo uma integração mais profunda em questões financeiras e de defesa.

A resistência da Alemanha, entre outros países, viu a proposta de Macron em criar um orçamento comum da zona do euro diluído num orçamento exíguo para projetos selecionados.

A sua recente proposta de colocar a dissuasão nuclear francesa no centro da estratégia de defesa da Europa também teve uma resposta fria de Berlim, desconfiada de se afastar do escudo nuclear dos EUA no seio da NATO.

"Mantenho que a proteção de muitos países na Europa é garantida pela aliança com a NATO", disse em Munique a ministra da Defesa alemã Annegret Kramp-Karrenbauer. Para a líder demissionária da CDU, o reforço da Europa deve passar pelo "reforço do pilar europeu no seio da NATO".

Estas declarações surgem numa altura em que a política interna alemã se encontra a fervilhar devido à quebra do tabu de pactos eleitorais com a extrema-direita. A eleição e posterior demissão do novo ministro-presidente da Turíngia pelos deputados do parlamento estadual, um liberal que obtera apenas 5% dos votos, mas que fora eleito em conjunto com os votos da CDU e da Alternativa para a Alemanha (AfD, extrema-direita) foi um sismo político que terminou com a intervenção de Angela Merkel. Mas não nas ruas -- ainda neste sábado os habitantes da capital da Turíngia, Erfurt, foram para a rua protestar contra a hipótese da normalização da extrema-direita.

O caso derrubou também a líder da CDU e anunciada sucessora de Merkel, Kramp-Karrenbauer.

Com este ambiente, e com a prevista saída de cena da chanceler em 2021, Macron tentou abrir outros canais de comunicação para avançar com as propostas de reforma. Na conferência, o dirigente francês reuniu-se com os líderes dos Verdes, bem como com figuras de destaque dos democratas-cristãos.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG