Julgamento começa hoje mas infanta Cristina já planeia visitar marido na prisão

Se for condenado por desvio de fundos, Iñaki Urdangarín arrisca pena de 19,5 anos. Julgamento prejudica imagem da família real.

Quando hoje se sentar no banco dos réus num tribunal de Palma de Maiorca, Iñaki Urdangarín enfrenta uma pena de 19,5 anos de prisão por desvio de fundos públicos no chamado caso Noos. E o marido da infanta Cristina estará tão convencido de que vai ser condenado, que fontes próximas dos antigos duques de Palma (título que lhes foi retirado em junho) garante que a irmã do rei já está a preparar as visitas ao marido na prisão.

Este é o culminar de seis anos de um processo que afetou a imagem da coroa espanhola como pilar do Estado. E se revelou um verdadeiro quebra-cabeças, primeiro para Juan Carlos e, desde que o monarca abdicou, em junho de 2014, para o filho, Felipe VI. Logo em 2011, meses depois de o caso Noos vir a público, no discurso de Ano Novo, Juan Carlos garantia: "A justiça é igual para todos".

Com estas palavras, o agora rei emérito começava a empurrar o genro e a filha mais nova para fora do círculo da família real. No ano seguinte, o antigo campeão de andebol era chamado a testemunhar. E nas 22 horas que passou a ser ouvido pelo juiz, Urdangarín fez tudo para lançar as culpas para cima do ex-sócio Diego Torres e, sobretudo, para afastar as suspeitas da mulher. Mas a infanta não escapou ao escândalo e em 2014 acabou por ser mesmo chamada ao juiz como ré. Nas seis horas de interrogatório, a filha mais nova de Juan Carlos e Sofia repetiu 182 vezes "não sei" e 55 "não me lembro".

Por acaso

O caso Noos começou a ser investigado quase por acaso em 2010, quando o procurador anticorrupção Pedro Horrach e o juiz José Castro, que investigavam outro caso, tropeçaram em documentos sobre a transferência de um milhão de euros do governo balear presidido por Jaume Matas para o Instituto Noos, dirigido por Urdangarín e pelo sócio Diego Torres. Entre 2004 e 2007, o Instituto, de que era membro Cristina de Borbón, conseguiu, de forma fraudulenta, contratos com o governo regional no valor de 5,8 milhões de euros. Parte do dinheiro - 2,6 milhões - terá sido desviado por Urdangarín e Torres.

A procuradoria garante que a infanta Cristina, mesmo se não participou no crime de desvio de fundos, beneficiou do dinheiro desviado. Daí a acusação contra ela apresentada pelo coletivo Manos Limpias, que levou o juiz José Castro a manter a acusação contra a irmã do Rei.

Agora, despojada do título de duquesa pelo irmão, forçada a passar o Natal em Genebra, onde a família vive, apenas na companhia da irmão mais velha, Elena, a infanta Cristina sente-se uma vítima. Segundo o El Mundo, está convencida que o marido está a ser alvo de uma conspiração e está disposta a ficar ao seu lado até ao fim. Se vai ser julgada ou se é ilibada deverá ser a primeira decisão das das três juízas do tribunal de Palma de Maiorca.

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