Zuckerberg admite erros do Facebook no escândalo Cambridge Analytica

Mark Zuckerberg assumiu que em última análise é ele "o responsável por tudo o que acontece na plataforma"

O fundador da rede social Facebook admitiu esta quarta-feira que a empresa cometeu erros no escândalo Cambridge Analytica. Mark Zuckerberg assumiu que em última análise é ele "o responsável por tudo o que acontece na plataforma" e prometeu trabalhar para perceber como melhorar.

Comecei o Facebook e, ao final do dia, sou responsável pelo que acontece na nossa plataforma. Estou a falar a sério sobre fazer o que é preciso para proteger nossa comunidade. Embora esta questão específica que envolve a Cambridge Analytica já não deva acontecer com novas aplicações, isso não altera o que aconteceu no passado. Aprenderemos com essa experiência para proteger ainda mais nossa plataforma e tornar nossa comunidade mais segura daqui para a frente.

Foi através da sua página pessoal do Facebook que Zuckerberg falou pela primeira vez sobre a questão da utilização de dados dos usuários de forma indevida por aplicações que lhes são conectadas. Neste caso específico, sobre a Cambridge Analytica que teria se apropriado de informações para ajudar a eleger Donald Trump nos Estados Unidos e o "Brexit", no Reino Unido.

"Quero partilhar uma atualização sobre a situação de Cambridge Analytica - incluindo as etapas que já tomamos e os nossos próximos passos para abordar esta importante questão.

Temos a responsabilidade de proteger seus dados e, se não pudermos, não mereceremos a sua confiança. Eu tenho trabalhado para entender exatamente o que aconteceu e como fazer para que isso não aconteça novamente. A boa notícia é que as ações mais importantes para evitar que isso aconteça novamente estão a ser desenvolvidas. Mas também cometemos erros, há mais para fazer e precisamos intensificar esforços nesse sentido".

O fundador do Facebook vai mais longe e explica temporalmente os acontecimentos.

"Aqui está uma linha do tempo dos eventos:

Em 2007 lançámos a Plataforma do Facebook com a visão de que mais aplicações deveriam ser sociais. O calendário deve ser capaz de mostrar os aniversários dos seus amigos, os mapas devem mostrar onde seus amigos vivem e o catálogo de endereços deve mostrar suas fotos. Para fazer isso, permitimos que as pessoas acedam a aplicações e compartilhem informações sobre os seus amigos.

Em 2013, um pesquisador da Universidade de Cambridge, chamado Aleksandr Kogan, criou uma aplicação de quiz de personalidade. Foi instalado por cerca de 300.000 pessoas que partilhavam os seus dados, bem como alguns dados de amigos. Dado o modo como a nossa plataforma funcionava na época, isso significava que Kogan conseguiu aceder a dezenas de milhões de dados de amigos".

A partir daí o Facebook apertou a privacidade.

"É contra as nossas políticas que os criadores das aplicações partilhem dados sem o consentimento das pessoas, então proibimos imediatamente o aplicativo da Kogan da nossa plataforma e exigimos que Kogan e Cambridge Analytica formalmente certificassem que haviam excluído todos os dados obtidos de forma incorreta. Eles forneceram essas certificações", garante.

Porém, tal pode não ter acontecido.

"Na semana passada, soubemos através do The Guardian, do The New York Times e do Channel 4 que a Cambridge Analytica pode não ter excluído os dados como haviam certificado. Nós imediatamente os proibimos de usar qualquer um dos nossos serviços. A Cambridge Analytica afirma que já apagou os dados e concordou com uma auditoria forense por uma empresa que contratamos para confirmar isso. Também estamos trabalhando com os reguladores enquanto investigam o que aconteceu.

Esta foi uma violação da confiança entre Kogan, Cambridge Analytica e o Facebook. Mas também foi uma violação da confiança entre o Facebook e as pessoas que partilham os dados connosco e que esperavam que nós os protegêssemos. Precisamos consertar isso".

Assim, deixa expressa algumas medidas que o Facebook vai tomar pela segurança dos usuários:

"Primeiro, investigaremos todos os aplicativos que tiveram acesso a grandes quantidades de informação [...]. Nós proibiremos qualquer aplicação da nossa plataforma que não concorde com uma auditoria completa. Em segundo lugar, restringiremos o acesso aos dados ainda mais para evitar outros tipos de abuso. Por exemplo, removeremos o acesso aos seus dados se você não tiver usado o Facebook por 3 meses. Reduziremos os dados que você forneceu quando efetuar o login - apenas para o nome, foto de perfil e endereço de e-mail. Exigiremos que as aplicações não apenas obtenham aprovação, mas também assinem um contrato para pedir a qualquer pessoa acesso as suas publicações ou a outros dados privados. E teremos mais mudanças para compartilhar nos próximos dias".

Para os próximos dias, Zuckerberg adianta que vai lançar "uma ferramenta no topo do Feed com as aplicações" usadas e "uma maneira fácil de revogar as permissões dessas aplicações".

Ler mais

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.