Um tinha vergonha das borbulhas, o outro era jardineiro: os atiradores da escola de São Paulo

Filho de dependentes químicos, Guilherme, 17 anos, vivia com os avós e abandonou a escola onde fez o ataque no ano passado. Luiz, 25, trabalhava com o pai e adorava jogar futebol.

Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, que completaria 26 no sábado, eram ex-alunos da escola na cidade de Suzano em que mataram oito pessoas e feriram nove. O nono e o décimo óbitos da tragédia são os próprios Guilherme e Luiz, que ou se suicidaram ou foram atingidos pelos agentes da força tática que invadiram a escola e os encurralaram, informação a ser confirmada pelos exames periciais.

Segundo um tio de Luiz, o seu sobrinho trabalhava com o pai em Guaianases, cidade a 14 quilómetros de Suzano, e nunca havia dado problemas. Ontem, entretanto, pedira ao pai para não trabalhar por não se estar a sentir bem. Em conversa com a revista Veja, Américo Castro falou de "um garoto tranquilo, que gostava de jogar à bola com os amigos, torcia para o Corinthians em criança e mais recentemente se dizia do Barcelona".

O advogado da família, Fabrício Tsutsui, diz que na família, constituída maioritariamente por gente idosa, todos estão chocados com o ataque e com a morte de Luiz. Segundo o jurista, o atirador era auxiliar de jardinagem.

Guilherme morava com duas irmãs mais novas e os avós - a avó morreu morreu já quatro meses. O avô, porém, afirma que o neto "sempre foi bonzinho, nunca teve problemas com drogas nem deu trabalho", ao contrário dos pais, ambos dependentes químicos. Sem se identificar, contou à imprensa que pagava um tratamento de pele ao neto, que tinha vergonha das borbulhas tradicionais na sua idade.

Uma das vítimas do massacre foi um tio seu, dono de uma empresa de aluguer de automóveis nas imediações da escolha.

Colegas que escaparam do massacre desta quarta-feira relatam, no entanto, que no fim-de-semana Guilherme havia dito num centro comercial para eles "ficarem alerta". Afirmam que o atirador não sofria bullying e que costumava partilhar imagens com arma nas redes sociais. No facebook, o adoescente revelava-se um amante de armas, um apoiante do presidente Jair Bolsonaro e um fã da série Walking Dead.

Sobre a deputada Marielle Franco, assassinada no ano passado, Guilherme curtiu um post da página do delegado Roberto Monteiro que diz "trate bandidos como vítimas, e um dia a vítima será você".

Os dois frequentaram a Escola Professor Raul Brasil, sendo que Guilherme saiu, por iniciativa própria, no final do ano passado.

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