Um perigo chamado drone

Eles estão um pouco por todo o lado e não como controlá-los. Os veículos aéreos sem tripulação podem executar uma série de tarefas, inclusive a favor de terroristas, como o alegado atentado abortado contra o presidente da Venezuela.

Nicolás Maduro acusou os inimigos de tentar matá-lo durante o discurso que proferia no sábado, com o uso de drones carregados de explosivos. As imagens e os relatos recolhidos não esclarecem cabalmente o sucedido, mas há muito que os veículos aéreos sem tripulação são usados, quer ​por exércitos, quer por grupos terroristas.

Já no domingo, o ministro do Interior Néstor Reverol afirmou que no atentado foram usados dois drones de modelo DJI M600, "concebidos para trabalhos industriais" e com capacidade para "suportar grandes cargas".

"Sendo um gadget acessível a todas as pessoas, sem grande controlo por parte das autoridades, e tendo o tipo de intervenção que tem, poderá ser uma arma utilizada para várias formas de violência", considera o analista em política internacional Felipe Pathé Duarte.

Com efeito, os drones podem ser utilizados para lançar bombas, ataques químicos ou biológicos, e não é fácil fazer-lhes frente.

"Qualquer pessoa com dinheiro suficiente para comprar um drone e a competência técnica de uma criança de 12 anos pode realizar uma tentativa como essa", diz Colin Clarke, analista de política de segurança internacional da RAND.

O mercado de drones comerciais floresceu nos últimos anos. Os chamados quadcopters, drones com quatro rotores, têm autonomia de mais de 20 minutos, podem ser operados a mais de um quilómetro de distância e compram-se por menos de mil euros.

O Estado Islâmico usou drones desse tipo para realizar ataques com granadas.

Os houthis, no Iémen, investem drones maiores contra os sistemas de defesa sauditas.

Sustos


O alegado ataque a Maduro não foi o primeiro incidente a envolver drones e dirigentes políticos.

Em janeiro de 2015, um drone caiu no relvado da Casa Branca após o seu dono ter perdido o controlo. Soaram os alarmes sobre a segurança da residência oficial do presidente dos EUA.

Poucos meses depois, um homem que protestava contra a política nuclear do Japão lançou um drone com uma câmara de filmar e areia radioativa do desastre nuclear de Fukushima para o gabinete do primeiro-ministro Shinzo Abe, embora a quantidade de radiação fosse mínima.

Em abril, as forças de segurança da Arábia Saudita abateram um drone perto do palácio real. Em consequência o uso de drones foi proibido no reino.

Em julho, o grupo ambientalista Greenpeace não lançou um drone contra um político, mas contra uma central nuclear francesa. Com as vestes do Super-Homem, o drone foi usado para demonstrar a vulnerabilidade das centrais nucleares a ataques terroristas.

"Os factos no terreno superam a lei, a política e a autoridade", resume Colin Clarke à Reuters.

Gás lacrimogéneo

O exército israelita também tem dado usos diversos a drones. Além das funções de vigilância e de ataque, usou aparelhos voadores não tripulados para abater papagaios e balões de papel incendiários ou gás lacrimogéneo para dispersar manifestações.

Quanto aos EUA, é conhecido o uso intensivo que faz de drones de combate. O Bureau of Investigative Journalism compilou os ataques norte-americanos no Afeganistão, Paquistão, Iémen e Somália. Só no primeiro país, por exemplo, desde 2015, realizaram-se mais de 4000 ataques, que resultaram na morte de um número entre 3600 e 4900 pessoas.

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