Um milhão de dólares para professora que afastou alunos dos gangues

Docente em escola problemática nos subúrbios de Londres distinguida com o Global Teacher Prize

Andria Zafirakou, professora de artes e têxteis na escola secundária Alperton Community School, foi a vencedora do Global Teacher Prize 2018. Zafirakou destacou-se não só pelo seu papel na sala de aula mas também fora. A escola fica em Brent, arredores de Londres. Uma área marcada pela multiculturalidade (falam-se 35 línguas na escola), pela pobreza e pela criminalidade.

A professora decidiu levar o conceito de artista residente para a sala de aulas. Os resultados foram tais que Alperton passou a ter o estatuto de "escola especializada" em artes visuais.

Fora da sala, Andria Zafirakou começou a trabalhar diretamente com a polícia para evitar os contactos dos gangues com os alunos. Ao fim do dia, assegura-se de que os alunos são encaminhados para os autocarros.

Em relação à atividade desportiva (e à defesa pessoal) criou um clube de boxe e uma equipa feminina de críquete.

A sua energia e criatividade contagiantes deram resultado: Alperton está hoje no top das escolas de Inglaterra e Gales que melhoraram os resultados escolares dos alunos. O departamento de matemática venceu o prémio nacional Tes de 2017.

O Global Teacher Prize é um prémio de um milhão de dólares (814 mil euros) atribuído anualmente a um professor que tenha dado um contributo extraordinário para a sua profissão.

O prémio, atribuído pela Fundação Varkey (patrocinado pelo xeque Mohammed bin Rashid Al Maktoum, emir do Dubai) serve para sublinhar a importância dos educadores e o facto de que, em todo o mundo, os seus esforços merecem ser reconhecidos e celebrados.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Borges

Globalização e ética global

1. Muitas das graves convulsões sociais em curso têm na sua base a globalização, que arrasta consigo inevitavelmente questões gigantescas e desperta paixões que nem sempre permitem um debate sereno e racional. Hans Küng, o famoso teólogo dito heterodoxo, mas que Francisco recuperou, deu um contributo para esse debate, que assenta em quatro teses. Segundo ele, a globalização é inevitável, ambivalente (com ganhadores e perdedores), e não calculável (pode levar ao milagre económico ou ao descalabro), mas também - e isto é o mais importante - dirigível. Isto significa que a globalização económica exige uma globalização no domínio ético. Impõe-se um consenso ético mínimo quanto a valores, atitudes e critérios, um ethos mundial para uma sociedade e uma economia mundiais. É o próprio mercado global que exige um ethos global, também para salvaguardar as diferentes tradições culturais da lógica global e avassaladora de uma espécie de "metafísica do mercado" e de uma sociedade de mercado total.