Ataques de Trump aos media estão próximos de "incitação à violência"

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, o jordano Zeid Ra'ad al-Hussein, critica presidente dos EUA, considerando que a sua retórica ecoa a das piores eras do século XX, que antecederam as duas guerras mundiais.

A duas semanas do final do seu mandato como alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al-Hussein não poupou críticas ao presidente norte-americano, Donald Trump. O jordano considera que a sua retórica anti-media - ao apelidar os jornalistas de "inimigos do povo" - ou contra os migrantes e as minorias é comparável à que existia no século XX, antes do início das duas guerras mundiais.

"Começámos a ver uma campanha contra os media... que poderia potencialmente, e ainda pode, desencadear uma cadeia de eventos que poderá facilmente levar a agressões contra os jornalistas que estão apenas a fazer o seu trabalho e levar potencialmente a autocensura", disse o responsável dos Direitos Humanos numa entrevista ao The Guardian . "E, nesse contexto, está muito próximo de incitação à violência", acrescentou.

O príncipe e diplomata jordano diz que Trump já está a servir de exemplo a outros líderes que estão a atacar os media como até agora não ousavam. Zeid Ra'ad al-Hussein deu o exemplo do líder cambojano, Hun Sen, que usou uma linguagem semelhante à do presidente norte-americano para fechas media independentes. "Os EUA criam um efeito de contágio, que é captado por outros países onde a liderança tende a ser mais autoritária no caráter ou aspira a ser autoritária", afirmou.

E criticou também a retórica contra os migrantes e as minorias. "Quando a linguagem é usada de uma forma que enfoca grupos de pessoas que tradicionalmente sofreram muito com fanatismo, preconceito e chauvinismo, leva-nos a um período não há muito tempo no século XX, quando os sentimentos foram alimentados, dirigidos a um grupo vulnerável no século XX, quando os sentimentos foram alimentados, dirigidos a um grupo vulnerável por causa do ganho político", afirmou, dizendo que se estava a referir ao período antes da primeira guerra mundial e à década de 1930.

Este não é a primeira vez que o jordano, que será substituído em setembro pela ex-presidente chilena Michelle Bachelet à frente dos Direitos Humanos da ONU, critica a falta de importância que Trump este dá a este tema. "A Administração Trump parece ter-se separado de anteriores administrações na sua defesa dos direitos humanos em todo o mundo", lembrando que o país saiu do Conselho de Direitos Humanos em Genebra. Isso "foi ilustrativo da falta de qualquer compromisso profundo".

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