Rajoy anuncia saída da liderança do PP

Ex-primeiro-ministro pede a convocação de um congresso para eleger o sucessor.

"Chegou o momento de pôr um ponto final nesta viagem", disse Mariano Rajoy, anunciando que vai deixar a presidência do partido. "É o melhor para mim e para o Partido Popular. Ou melhor, é o melhor para o Partido Popular e para mim. E além disso para Espanha", acrescentou num discurso diante do Comité Executivo Nacional.

O ex-primeiro-ministro, afastado da liderança do governo graças a uma moção de censura, propõe a realização de uma junta diretiva para convocar o Congresso que "abra uma nova etapa no nosso partido para uma nova direção". Rajoy indicou que ficará à frente do partido, que lidera há 14 anos, até ser eleito o seu substituto.

Entre os nomes que se fala está o da antiga número dois de Rajoy no governo, a ex-vice-presidente Soraya Sáenz de Santamaria, a secretaria-geral do PP e ex-ministra da Defesa, Maria Dolores Cospedal, ou o presidente do governo galego, Alberto Núñez Feijóo.

"Durante 37 anos servi o partido em todo o tipo de cargos, de militante de base a presidente. Nunca pedi um cargo, nem lutei para afastar ninguém. Chegou o momento de pôr fim a esta etapa", afirmou Rajoy, deixando claro que não fará qualquer alteração, nem no partido, nem nos grupos parlamentares, deixando essa tarefa para o sucessor.

"Continuarei convosco, porque não imagino a minha vida fora do PP. Não vou entregar o cartão de militante", referiu Rajoy, que a determinado momento se emocionou e que recebeu uma ovação dos presentes. "Tenho consciência da lealdade enorme de todos. Foi incrível", dizia, quando a emoção lhe toldou a voz. Os presentes aplaudiram-no.

"Agora o que é preciso é olhar para o futuro", dissera antes Rajoy. "Continuamos a ser o maior partido de Espanha, ganhámos as três últimas eleições, contamos com a maior bancada no Congresso e no Senado, temos dirigentes preparados, temos uma militância como nenhuma outra, e por isso não há motivos para desânimo", indicou.

Em relação ao governo do socialista Pedro Sánchez, disse que nasce com "debilidade extrema" e com "péssimos companheiros de viagem", numa referência ao apoio do Unidos Podemos e dos independentistas catalães e nacionalistas bascos que precisou para vencer a moção de censura, lançada após a sentença do caso Gurtel, segundo a qual o PP teria sido financiado pelo esquema de corrupção que envolvia vários empresários e dirigentes partidários.

"Hoje governa em Espanha quem nunca ganhou umas eleições gerais, o que supõe um grave precedente. E para o fazer, está acompanhado de independentistas e da esquerda radical e populista. É um projeto débil, incerto e instável", avisou.

"Defendi a minha honra e a deste partido. Saímos deixando o maior pacote completo de leis contra a corrupção. Tentei ser justo, proteger o bom nome do nosso partido, assumi os meus erros e os que não eram meus e muitas vezes calei-me para não ajudar nesta campanha para liquidar a presunção de inocência de muitas pessoas", explicou. "Atuámos contra a corrupção, melhorámos as leis e os procedimentos, mas não me pus à ordem dos inquisidores, que os houve e muito ativos", referiu.

"Temos que defender a nossa gestão da tarefa de demolição que nos anunciaram. Este governo vai ter uma oposição forte à frente da qual está o PP", afirmou Rajoy.

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