PT oficializa candidatura de Lula à presidência

As eleições presidenciais do Brasil previstas para outubro
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"Estamos lançando a pré-candidatura de Lula à presidência da República". Foi assim que Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, confirmou a decisão do partido de formalizar a candidatura de Lula da Silva à presidência do Brasil, um dia depois de o ex-presidente ter sido condenado em segunda instância por corrupção passiva.

Depois da condenação, Lula já tinha reafirmado a vontade de se recandidatar à presidência. Ao discursar para os apoiantes, em São Paulo, Lula insistiu na sua inocência, depois de a Justiça ter aumentado a sua condenação por corrupção para 12 anos, assegurando: "A provocação é tão grande, que agora quero ser candidato à Presidência".

Esta manhã, a liderança nacional do partido reuniu-se em São Paulo na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior união sindical do Brasil, na presença de Lula da Silva e da ex-Presidente Dilma Rousseff.

À chegada ao local, Lula foi recebido por ativistas a cantar "Lula guerreiro do povo brasileiro!".

Por enquanto, Lula da Silva está livre para fazer campanha e a decisão da Justiça não reduziu a zero as possibilidades de concorrer a um terceiro mandato na Presidência do Brasil porque os seus advogados dispõem de várias possibilidades de recurso. Só depois de todos esses recursos se esgotarem é que Lula da Silva pode ser declarado inelegível e possivelmente ser preso.

"As próximas duas semanas serão cruciais", disse o advogado Eugénio Aragão quando explicou a estratégia de defesa de Lula da Silva no início da reunião do PT.

Na imprensa

O jornal O Globo escreveu que "Lula [da Silva] sofreu a pior derrota de seu curso político" e que "está mais perto da prisão do que do Palácio de Planalto", sede da Presidência da República, em Brasília. A sua "candidatura é quase uma miragem", lê num editorial.

Para o jornal O Estado de S. Paulo "o resultado de 3-0 (no julgamento em Porto Alegre) deve ser suficiente para convencer os simpatizantes do PT a finalmente pararem de ver [Lula da Silva] como um mártir da democracia brasileira".

O PT apenas anunciou hoje a decisão de lançar Lula da Silva, mas apenas o poderá fazer oficialmente depois do dia 20 de julho, de acordo com a legislação eleitoral.

O encontro da liderança do PT também visa que o partido, uma das formações políticas mais representativas do Brasil durante os anos da Presidência de Lula da Silva (2003-2010), tente subir a autoestima dos seus militantes.

Isto porque a destituição de Dilma Rousseff em 2016, a queda sofrida nas eleições regionais no mesmo ano e os casos de corrupção em torno do ex-Presidente abalaram a militância.

Atualmente, o partido tem 57 deputados da câmara baixa, num total 513 assentos, sendo a segunda maior bancada.

Nas eleições deste ano todas as esperanças do PT assentam em Lula da Silva, a única figura emergente à esquerda e o único candidato no qual, de acordo com as sondagens, um terço dos eleitores brasileiros estaria disposto a votar.

De acordo com alguns analistas, o PT está a pensar num Plano B, caso a candidatura presidencial de Lula, seja legalmente impedida, lançando o ex-ministro Jacques Wagner ou o ex-presidente da câmara de São Paulo Fernando Haddad.

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