Onda verde invade a Europa. Será que isso terá efeitos práticos?

Partidos ecologistas ou partidos que ganharam votos graças ao voto ecologias, como o PAN, em Portugal, foram a sensação das eleições europeias. A agenda verde terá ganho espaço para que haja mudanças práticas e políticas reais?

Os partidos verdes têm sido saudados como os grandes vencedores destas eleições. Por toda a União, os resultados têm superado as expectativas das sondagens. Não apenas necessariamente de partidos integrados no grupo político dos Verdes, mas também de outros partidos que deram destaque à agenda da ecologia e do clima nas suas campanhas.

O primeiro sinal surgiu logo nos primeiros dias de eleições, 23 e 24 de maio, com prestações consistentes dos verdes e dos trabalhistas nos Países Baixos e dos candidatos dos Verdes na Irlanda, conquistando mesmo a vitória na cidade de Dublin.

E, à medida que chegavam os resultados das europeias, vinham notícias surpreendentes da agenda verde na Alemanha - maior subida -, na Finlândia, em França, na Dinamarca, e até em Portugal. Na Alemanha, os Verdes derrotaram mesmo o SPD na corrida para o segundo lugar, com 20%. Em França, os Verdes conseguiram o terceiro lugar, com 12%. Na Dinamarca, Verdes em terceiro, com 13%.

Um aspeto muito interessante desta onda é a demografia dos seus eleitores. A onda pode não ser grande, mas tem boas bases. Em França e na Alemanha, os verdes são os partidos vencedores, por grande margem, entre os jovens.

Ao nível do Parlamento Europeu, o grupo dos verdes irá engordar, tornando-se um "kingmaker", expressão inglesa que pretende simbolizar a capacidade de um elemento minoritário, ao escolher as coligações que quer formar, acabar a decidir quem tem o poder. Os dois spitzenkandidat (candidatos a líderes da Comissão) dos Verdes, mas sobretudo Ska Keller, com um resultado estrondoso na Alemanha, ganham força no cenário político europeu. No entanto, continua a faltar-lhes força no órgão que, no final, manda - o Conselho Europeu.

Para além da fraca presença no Conselho, também na Europa de Leste os Verdes são quase inexistentes. Será desses países que virá a principal oposição à agenda verde deste partido.

* especialista em assuntos europeus

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