Narcotráfico: grupo rival tem lista com 29 homens a matar

Autoridades e Governo irlandeses não conseguem travar a guerra sangrenta que se instalou em Dublin

O líder de um grupo de narcotráfico de Dublin, na Irlanda, quer aniquilar todos os elementos do grupo rival e está a transformar a capital irlandesa num cenário de guerra. As autoridades descobriram uma lista negra com pelo menos 29 homens: estão todos destinados a morrer assassinados.

Segundo o jornal The Guardian, no meio desta batalha de gangues já morreram quinze pessoas e dezenas ficaram feridas. Várias famílias foram obrigadas a sair das suas casas por medo ou porque foram intimadas pelos criminosos a fazê-lo. A guerra dura já há dois anos e é liderada por Christy Kinahan e Gerry "The Monk" Hutch, ambos líderes de cada um dos gangues em confronto.

Apesar dos apelos de políticos, líderes comunitários e figuras da igreja para o fim desta sangria, o cartel de Kinahan parece determinado a acabar com toda o gangue de Hutch e com quem lhe permaneça fiel.

Os constantes tiroteios em zonas como Sheriff Street, no centro de Dublin, não muito longe da rua principal da cidade - a O'Connell - obrigaram a que a área seja agora vigiada 24 horas por dia. Vários detetives armados permanecem em carros estacionados à frente das casas dos membros do gangue de Hutch, numa tentativa de evitar a carnificina anunciada.

A guerra entre os dois cartéis começou em setembro de 2015. Recentemente, o sobrinho de Hutch, Gary, encabeçou um grande ataque onde tinha a intenção de matar um grande grupo de homens que acreditava estarem ligados a Kinahan. Enviou dois homens armados, disfarçados de polícias e armados com fuzis de assalto AK-47 e ainda outro homem, que carregava uma arma automática e que estava vestido como uma mulher, ao Regency Hotel, onde estavam os supostos membros do gangue rival a assistir a um combate de boxe.

O ataque chegou a ser reivindicado pelo IRA-Continuidade (CIRA, na sigla em inglês), sendo apresentado como uma retaliação pela morte de um dirigente de outra organização republicana extremista, o IRA-Verdadeiro, Alan Ryan, sucedida em setembro de 2012, também em Dublin.

O tiroteio causou um morto e três feridos. A vítima mortal foi identificado como David Byrne, de 34 anos, residente num bairro no sul da cidade, Crumlin. O bairro é conhecido como um dos pontos de Dublin onde é mais forte a presença do crime organizado e Byrne foi descrito pela polícia como dos mais importantes nomes do submundo local, ligado ao cartel Christy Kinahan. Segundo a polícia, o verdadeiro alvo do ataque era um outro dos chefes do bando, Daniel Kinahan, que escapou ileso.

No conflito seguinte, o grupo de Kinahan, cujo líder está constantemente a viajar entre as suas propriedades em Espanha, Norte de África e Dubai, foi responsável por 13 dos 15 assassinatos. Entre os mortos, havia dois civis inocentes que foram erradamente associados a Hutch.

Derek Coakley-Hutch, um sobrinho de Hutch, de 27 anos, foi dos últimos a morrer. O crime aconteceu no mês passado enquanto estava sentado num carro perto da prisão de Dublin em Wheatfield.

O campo de batalha estendeu-se também às prisões de segurança máxima da Irlanda. Os criminosos com ligação a cada um dos gangues têm de ser ser alojados em alas separadas. O clima de medo está presente em todas as áreas próximas dos cartéis, mesmo que seja só a vizinhança.

De acordo com um detetive veterano, a guerra só irá acabar se um dos dois principais criminosos for morto. A mesma fonte disse ao The Guardian que as autoridades sabem que Kinahan ofereceu uma recompensa de vários milhares de euros para quem sequestrasse o seu rival e o matasse, mas lentamente e de forma dolorosa.

"Durante décadas, o grupo alinhado com Gerry Hutch controlou as rotas de contrabando baseadas no porto de Dublin. O cartel de Kinahan sempre quis o controlo dessa rede e ao derrotar o grupo Hutch acabaram por assumir essas rotas. Há mais explicações para toda esta carnificina do que apenas uma vingança sangrenta, embora isso seja importante. Os Kinahans têm mais de uma razão para fazer a guerra e até a ganharem ", disse o detetive.

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