Nações Unidas denunciam "matadouros de seres humanos"

Membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas acusados de serem "responsáveis pela continuidade de tanto sofrimento"

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos do Homem denunciou hoje a existência de "matadouros de seres humanos" na Síria, República Democrática do Congo, Burundi, Iémen e Birmânia.

Estes "conflitos transformaram-se em matadouros de seres humanos - cada vez mais frequentes - porque não atuamos de forma suficiente (...) para impedir estes horrores", disse Zeit Ra'ad Al Hussein perante o Conselho dos Direitos do Homem reunido em Genebra.

O responsável acusou os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas de serem "responsáveis pela continuidade de tanto sofrimento".

"Aqueles que utilizaram o veto para bloquear as ações em bloco - que poderiam reduzir o sofrimento extremo das populações inocentes - são os que deveriam responder perante as vítimas", afirmou.

Considerando que a França e o Reino Unido "cumprem um uso limitado do direito (de veto)", Zeit Ra'ad Al Hussein apelou à República Popular da China, à Rússia e aos Estados Unidos a "pôr fim ao recurso pernicioso do veto".

Cessar-fogo na Síria só com todos de acordo para todas as regiões

A Rússia disse hoje que o cessar-fogo na Síria, exigido pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas só vai acontecer quando todos os beligerantes concordarem nas formas de o aplicar em todas as regiões em guerra no país.

"O cessar-fogo começará quando todos os beligerantes do conflito estiverem de acordo sobre como ele deve ser implementado para garantir que a cessação das hostilidades é total e se aplica a toda a Síria", disse o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, em conferência de imprensa.

Aqui dificilmente há espaço para interpretações, nem pode haver interpretações sobre a quem se estende a trégua proposta

Lavrov, afirmou ainda que a resolução da ONU, que pede uma trégua de trinta dias na Síria, não afeta as ações do Governo de Damasco, apoiadas pela Rússia, contra os terroristas que atuam no país.

Entre os grupos terroristas, o ministro russo mencionou o grupo Estado Islâmico, a Frente al Nusra e "todos os que com eles colaboram".

"O cessar-fogo não afeta de nenhuma maneira as ações levadas a cabo pelo governo sírio, com o apoio da Rússia, contra todos os grupos terroristas", em conferência de imprensa Lavrov, que hoje teve uma conversa por telefone com o seu homólogo português, Augusto Santos Silva.

Acusou os Estados Unidos de levarem a cabo um plano para "destruir a Síria" e de criar "quase-estados" no seu território, para o qual continuará a sua campanha mediática para denegrir as forças governamentais sírias.

Lavrov mencionou o Observatório Sírio de Direitos Humanos entre as fontes a partir das quais a informação que faz parte da estratégia dos Estados Unidos irá fluir.

"Jamais apoiaremos ações que permitam aos terroristas fugir às suas sanções", enfatizou Lavrov, acrescentando que já se observam intenções de aproveitar a resolução do Conselho de Segurança da ONU para outros fins.

Organizações médicas e de defesa dos direitos humanos dão conta de que os ataques na Síria, nomeadamente em Ghouta Oriental, continuam, ou seja, o cessar fogo aprovado sábado não entrou efetivamente em vigor.

Desde o início dos ataques de Damasco contra Ghouta Oriental, a 18 de fevereiro, morreram pelo menos 521 civis, segundo os números divulgados pelo observatório sírio dos direitos humanos.

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