Na Finlândia dorme-se no supermercado para evitar o calor

Supermercado de Helsínquia convidou os clientes a dormirem nas suas instalações e assim beneficiarem das áreas de climatização. Capital finlandesa tem estado acima dos 25 graus desde julho.

O calor extremo atinge a Europa de norte a sul. E as noites quentes são por vezes complicadas para se conseguir dormir em tranquilidade. A Finlândia vive uma vaga de calor, com recordes de temperatura máxima a serem batidos, e um supermercado de uma cadeia finlandesa acabou a oferecer aos seus clientes a possibilidade de dormirem no interior do estabelecimento, junto às áreas com climatização. E houve logo quem aproveitasse. O grande número de interessados levaram o K-Supermarket a limitar a cem os "hóspedes" por noite.

As elevadas temperaturas que se têm feito sentir neste verão provocam efeitos sobretudo no sul do Europa, com Portugal e Espanha a serem os mais atingidos. Mas no norte a situação é também invulgar, com se viu com os recentes incêndios da Suécia. Na Finlândia os termómetros acusam igualmente números pouco habituais, com o mês de julho a ter uma média elevada, em Helsínquia, com a superação dos 25 graus quase todos os dias e com vários dias acima dos 30 graus. O Instituto de Meteorologia finlandês registou 31,6º, um máximo histórico.

A ideia de alojamento noturno no supermercado partiu depois de uma sugestão dos próprios clientes, contou uma responsável da K-Supermarket. "Os clientes comentaram, em jeito de brincadeira, que seria bom poder dormir na nossa loja. Sempre nos esforçámos para dar feedback dos clientes", disse Marika Lindfors, explicando que decidiram corresponder aos desejos dos finlandeses.

O convite começou a ser partilhado no dia 1 de agosto, pelas redes sociais, e gerou uma enorme adesão. Mais de 8 mil pessoas gostaram da mensagem, partilhada mais de duas mil vezes. Perante a adesão, o supermercado teve de limitar o número de "hóspedes" a cem pessoas.

"Muitos clientes estão ansiosos por passar a noite no frigorífico", dizia a mensagem do supermercado que recomendava aos clientes levarem objetos como almofadas, mas prometia pequeno-almoço. As únicas regras, além de estar entre as cem primeiras, era estar na loja antes de fechar. As luzes são desligadas à meia-noite. A loja explicou ainda que deixaria de vender cerveja depois das nove horas da noite.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.