Mestrado de Pablo Casado no Supremo. Líder do PP recusa demitir-se

Juíza diz que ficou provado que o mestrado era um "presente" aos estudantes "com uma posição relevante na esfera política" e pede ao Supremo que investigue se foi esse o caso do atual líder da oposição em Espanha.

O líder do Partido Popular (PP), Pablo Casado, garantiu hoje que o seu mestrado não foi "um presente", como sugere a juíza Carmen Rodríguez-Medel, que decidiu passar o caso para o Supremo Tribunal, o único com autoridade para investigar um deputado. E recusa demitir-se do cargo de líder da oposição em Espanha.

"O que me fizeram a mim, nunca fizeram a ninguém neste país ou noutro. Não estou a ser investigado por nenhum tribunal e não recai sobre mim qualquer indício de culpabilidade", referiu Casado, numa conferência de imprensa na sede do PP, convocada de urgência para reagir à decisão da juíza do tribunal de Madrid.

"Era um curso de doutoramento que habilitava para escrever uma tese que não fiz por falta de tempo. Não tenho nenhum título para pendurar em nenhuma parede e não conhecia as pessoas que podiam ter-me dado esse presente", assegurou, lembrando que na altura dos factos "não era ninguém, só um deputado autonómico sem capacidade de fazer nada na Administração".

Qual é a polémica?

Casado fez o mestrado em Direito Autonómico em 2008 e 2009 na Universidade Rei Juan Carlos, o mesmo que Cristina Cifuentes, que conseguiu o título sem ir às aulas e com várias equivalências e que, por causa do escândalo, foi obrigada a demitir-se da presidência do governo de Madrid.

Cifuentes não foi contudo caso único e há pelo menos três outras alunas a ser investigadas pela juíza Carmen Rodríguez-Medel. Uma delas admitiu mesmo que não fez nada para ter o mestrado e que foi tudo combinado com o diretor do curso, Enrique Álvarez Conde.

O atual líder do PP conseguiu o mestrado de 22 cadeiras com 18 equivalências. Casado admitiu que não teve que ir às aulas e conseguiu os créditos restantes fazendo quatro trabalhos, que não foram encontrados na investigação interna que a universidade fez. Casado diz que fez o que Conde lhe pediu.

Para a juíza Carmen Rodríguez-Medel, o mestrado de Casado faz parte de um "plano preconcebido" de Conde "para dar o título de mestrado de forma arbitrária a um grupo concreto de alunos desse ano (...) sempre usando a mesma técnica: o reconhecimento ilícito de 40 créditos e a qualificação sem atividade académica dos outros 20 que completam o mestrado".

Para a juíza, há provas de que este mestrado er um "presente" a alunos "com uma posição relevante na esfera política e institucional ou que mantinham laços estreitos de amizade ou de caráter profissional" com Conde, principal acusado no processo. A apoiar o diretor do curso estariam a professora Alicia López de los Mozos e o professor Pablo Chico de la Cámara.

A juíza defende que o Supremo Tribunal, o único que pode investigar um deputado, decida se continua a investigar Casado por alegados crimes de "prevaricação administrativa e suborno" admitindo que existem "indícios de responsabilidade penal".

Reação de Sánchez

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, defendeu que Casado deveria "dar explicações aos cidadãos" sobre o mestrado. "Não me cabe como líder do governo não qualificar nenhum dos procedimentos judiciais abertos. Tem que fazer uma avaliação e dar explicações aos cidadãos. E fico por aí", disse aos jornalistas após a tradicional reunião de verão com o rei Felipe VI, no palácio Marivent, em Palma de Maiorca.

Casado foi eleito há menos de um mês líder do PP, numa altura em que o caso já estava a ser investigado.

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