Manifestação contra o governo: "Eleições já", grita direita espanhola

Partido Popular, Ciudadanos e a formação de extrema-direita Vox acusam primeiro-ministro de "traição" e de "negociar a unidade nacional" ao manter conversações com os independentistas da Catalunha.

Os partidos da direita espanhola Partido Popular e Ciudadanos e a formação de extrema-direita Vox juntaram este domingo dezenas de milhares de manifestantes em Madrid para exigir a demissão do primeiro-ministro socialista, Pedro Sánchez, e a convocação de eleições.

As três formações acusam Sánchez de "traição" e de "negociar a unidade nacional" ao manter conversações com os independentistas da Catalunha (nordeste) para assegurar a aprovação do Orçamento do Estado.

O governo de Sánchez suspendeu as conversações com os independentistas na sexta-feira porque, segundo a vice-primeira-ministra, Carmen Calvo, os separatistas recusaram ceder na exigência de um referendo sobre a independência.

A tensão política ocorre nas vésperas do julgamento pelo Supremo Tribunal de Espanha, marcado para terça-feira, de 12 dirigentes independentistas catalães, acusados de traição na tentativa de secessão de 2017.

A polícia nacional estimou em 45 mil o número de manifestantes na praça Colón, na capital espanhola, segundo a agência EFE.

Números que estão a ser partilhados no Twitterpor vários manifestantes, além de várias imagens e vídeos da manifestação com as hashtags YoVoy, EleccionesYa, SánchezLárgate,​​​​​ e UnidosPorEspana:

No manifesto da concentração, intitulado "Por uma Espanha unida eleições já!", lido aos manifestantes, os partidos de direita acusam o governo do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) de "humilhação do Estado sem precedentes" e argumentam que os espanhóis "não estão dispostos a tolerar mais traições ou concessões".

"Nenhum governo está legitimado para negociar a soberania nacional", frisam.

O líder do Partido Popular (PP), Pablo Casado, afirmou à chegada ao protesto a sua oposição à política de diálogo com a Catalunha e assegurou que "o tempo de Sánchez acabou".

Albert Rivera, líder do Ciudadanos (Cs), assegurou que Pedro Sánchez "vai ter de ouvir" as palavras dos manifestantes, caso contrário, apelou, "terão de organizar-se mais manifestações".

E Santiago Abascal, líder do Vox, qualificou o governo de Madrid de "ilegítimo e mentiroso", acusando de "traição" e de ser "apoiado pelos inimigos de Espanha, da ordem constitucional e da convivência entre espanhóis", referindo-se aos independentistas.

O PP, o Ciudadanos e o Vox, que se aliaram recentemente para governar a região da Andaluzia (sul), surgem nas sondagens em condições de formar uma maioria a nível nacional.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

Premium

Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.