Ouvidos em tribunal cinco acusados de querer atentar contra presidente de São Tomé

É a segunda vez, em menos de dois meses, que há notícia de uma tentativa de alteração da ordem constitucional no pequeno país de língua portuguesa que vai a eleições no dia 7 de outubro

Três cidadãos espanhóis e dois são-tomenses ouvidos terça-feira por juiz de instrução criminal por alegado envolvimento em atos de subversão da ordem constitucional, disse à Lusa fonte judicial. Os cinco foram presentes ao tribunal de Primeira Instância para serem ouvidos pelo juiz.

As identidades dos três cidadãos espanhóis não foram divulgadas, mas sabe-se que os dois são-tomenses são Albertino Fernandes, antigo ministro da Juventude e Desporto do governo do ex-primeiro-ministro Gabriel Costa, e o segundo integrou o extinto Batalhão Búfalo sul-africano.

Batalhão Búfalo era a designação por que era conhecido o ex-Batalhão 33 do exército da África do Sul, formado por mercenários e que durante o regime do apartheid lutou em Angola ao lado das forças armadas invasoras sul-africanas contra as tropas governamentais angolanas.

Esses elementos, segundo a mesma fonte, foram detidos no sábado a noite por agentes da Polícia Judiciaria (PJ) "depois de penetrarem no recinto do Morro da Trindade (residência do chefe de Estado) onde pretendiam, "atentar contra o Presidente da República" Evaristo Carvalho.

A Presidência da República ainda não se pronunciou sobre o assunto e o governo também ainda não fez nenhuma declaração oficial.

O Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social Democrata (MLSTP-PSD), principal partido da oposição, disse estar "a seguir com muita atenção" o que classifica como "episódio".

"Esperamos que não seja mais uma comédia para divertir os são-tomenses", disse à Lusa a vice-presidente, Elsa Pinto.

Este é a segunda tentativa de subversão da ordem constitucional em menos de dois meses em São Tomé e Príncipe.

Em 21 junho o governo anunciou que tinha detido um deputado do MLSTP-PSD e um sargento da Forças Armadas por "tentativa de subversão da ordem constitucional".

"As forças de defesa e segurança do estado desmantelaram uma tentativa de subversão da ordem constitucional através do assassinato premeditado do primeiro-ministro e chefe do governo, Patrice Trovoada e orientaram a detenção dos principais protagonistas", disse em comunicado o ministro Arlindo Ramos.

Segundo o governante, os dois detidos são Gaudêncio Costa, antigo ministro da Agricultura e deputado do principal partido da oposição e Ajax Managem, sargento das Forças Armadas.

Arlindo Ramos sublinhou na altura que os "elementos recolhidos" revelavam, "para além da premeditação, uma forte determinação na execução dos seus desígnios, cumplicidade nacionais e estrangeiras".

Mas os dois implicados foram postos em liberdade sob termo de identidade e residência, pelo juiz de instrução criminal Francisco Silva, que alegou falta de provas para manter os dois acusados sob prisão preventiva.

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