Ian David Long. O que sabemos sobre o atirador do bar na Califórnia?

Autoridades pensam que o ex-marine de 28 anos sofria de stress pós-traumáticos. Matou 12 pessoas.

As autoridades identificaram o atirador que na quarta-feira à noite entrou num bar em Thousand Oaks, na Califórnia, e matou 12 pessoas, como Ian David Long, 28 anos, de Newbury Park, veterano dos Marines. Vestia-se de negro e usou uma pistola Glock de calibre 45. O atirador foi encontrado morto no bar, mas ainda não se sabe se ele se suicidou ou se foi atingido pelos polícias.

Iand David Long serviu nos Marines de agosto de 2008 a março de 2013. As autoridades locais conheciam-no e mantiveram contacto com ele nos últimos dois anos devido a "incidentes menores": esteve envolvido numa confusão num bar em Thousand Oaks, em 2015, e também em dois acidentes de automóvel e, em abril deste ano, os agentes foram chamados a sua casa devido a uma disputa doméstica. Os vizinhos queixaram-se do barulho, parecia que ele estava a derrubar as paredes, disse um dos vizinhos a uma televisão local. "Ele estava um pouco irado e agia irracionalmente", lembrou o xerife do condado de Ventura, Geoff Dean, em conferência de imprensa. O polícia pensa que o homem poderá sofrer de stress pós-traumático. No entanto, naquela altura, após avaliação dos profissionais de saúde mental, Long foi dispensado.

O xerife acrescentou que Ian David Long usava uma arma comprada legalmente, com capacidade para dez balas, mas ele usou um carregador maior, ilegal, não se sabendo ao certo quantas balas terá disparado. "Não temos qualquer ideia do motivos porque ele fez isto", admitiu o xerife.

De acordo com as testemunhas, o homem chegou ao local de carrro, entrou no bar por voltas das 23.20 e começou a disparar sem dizer qualquer palavra. Muitas pessoas deitaram-se no chão, outras saíram a correr, algumas partiram os vidros das janelas e saltaram do segundo andar para escapar aos tiros. Matou 12 pessoas, incluindo o primeiro agente da polícia que entrou no local.

"O cenário lá dentro é terrível", afirmou Geoff Dean. "Há sangue por todo o lado."

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