Experiências com gases tóxicos em macacos e pessoas. "É injustificável"

O governo alemão criticou hoje a realização destes testes financiados pela Volkswagen, Daimler (dona da Mercedes-Benz) e BMW

O governo alemão considerou "injustificável" a realização de testes de emissões de gases em macacos e em humanos, depois de notícias de que um estudo financiado pela Volkswagen, Daimler (dona da Mercedes-Benz) e BMW teria realizado esse tipo de experiências. O Conselho de Supervisão da Volkswagen também já reagiu às informações deste fim de semana e pediu um inquérito.

O The New York Times revelou na sexta-feira que os construtores alemães tinham encomendado um estudo para defender o diesel, depois de revelações de que os gases libertados pelos escapes dos automóveis eram cancerígenos. Esse estudo que terá sido realizado em macacos, terá sido financiado pelo EUGT, grupo europeu de pesquisas sobre o ambiente e saúde nos transportes criado pelos três construtores automóveis e extinto em 2017. Desconhece-se se a Volkswagen, a Merceds e a BMW tinham conhecimento do método usado nas experiências, realziadas em 2014.

No domingo, um jornal alemão, o Stuttgarter Zeitung, acrescentou que também foram realizados testes em humanos, nomeadamente com dióxido de nitrogénio.

"Esses testes em macacos ou em pessoas não são justificáveis a nível ético e suscitam muitas questões acerca daqueles que estão por trás dos testes", afirmou esta manhã o porta-voz do governo Steffen Seibert numa conferência de imprensa regular.

O Conselho de Supervisão da Volkswagen anunciou hoje que pediu um inquérito urgente a esta situação. "Farei todo o possível para qque este assunto seja investigado em detalhe", afirmou hoje o presidente deste conselho, Hans Dieter Poetsch em comunicado.

"Quem é responsável por isso deve ser responsabilizado", acrescentou.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.