Candidato da oposição Martin Fayulu denuncia fraude eleitoral na RD Congo

Um dos candidatos nas eleições da República Democrática do Congo (RDCongo), Martin Fayulu, classificou os resultados que deram a vitória a Felix Tshisekedi como "fraudulentos, fabricados e inventados".

Fayulu afirmou que o resultado anunciado hoje pela comissão eleitoral "não reflete a verdade dos boletins" e pediu que o povo congolês se "levante como um só homem para proteger a sua vitória".

Fayulu pediu também à Igreja Católica para divulgar os resultados que obteve de sua equipa de 40 mil observadores que registaram as estatísticas de votação publicadas em cada um dos centros de votação. Na semana passada, a Igreja Católica informou que as suas observações mostraram um claro vencedor.

Vários diplomatas conhecedores do processo confirmaram à agência de notícias Associated Press que os números compilados pela Igreja Católica mostram que Fayulu obteve a maioria absoluta dos votos.

Dois diplomatas disseram também que todas as principais missões de observação, incluindo da União Africana e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, mostraram resultados semelhantes.

Fayulu denunciou ainda a existência de um acordo para declarar Tshisekedi como vencedor. "Em 2006, a vitória de Jean-Pierre Bemba foi roubada. Em 2011, a vitória de Etienne Tshisekedi foi roubada. Em 2018, a vitória não será roubada a Martin Fayulu".

O proclamado vencedor provisório da eleição presidencial de 30 de dezembro na RDCongo, Felix Tshisekedi, saudou já no seu primeiro discurso o Presidente cessante, Joseph Kabila, como "parceiro da alternância democrática".

"Eu presto homenagem ao Presidente Joseph Kabila e hoje não devemos mais considerá-lo um adversário, mas sim um parceiro na alternância democrática no nosso país", disse Tshisekedi a uma multidão de apoiantes na reunião na sede da União para a Democracia e o Progresso Social (UDPS).

A comissão eleitoral da República Democrática do Congo (RDCongo) informou hoje que um dos candidatos da oposição, Felix Tshisekedi, venceu as eleições presidenciais.

Tshisekedi recebeu mais de sete milhões de votos, contra os mais de seis milhões arrecadados por outro candidato da oposição, Martin Fayulu, e por aquele apoiado pelo partido do Governo, Emmanuel Ramazani Shadary, que obteve mais de quatro milhões de votos.

"Tendo obtido 7.051.013 votos válidos, ou 38,57%, é proclamado provisoriamente Presidente da República Democrática do Congo, Sr. Tshisekedi Tshilombo Félix", disse o presidente da comissão eleitoral, Corneille Nangaa.

Este resultado sem precedentes na RDCongo ainda pode contestado junto do Tribunal Constitucional, que tem a partir de agora 14 dias para validar a votação.

O anúncio do sucessor do Presidente cessante Joseph Kabila, inicialmente previsto para domingo, surgiu após pressão internacional e num clima de suspeição entre a população, que temia uma manipulação dos resultados.

Um grupo de observadores locais, Symocel, afirmou ter testemunhado 52 irregularidades "graves" nos 101 centros de voto que analisou.

Estas eleições eram vistas por muitos como uma hipótese de a RDCongo ter uma primeira transição de poder pacífica desde a sua independência, em 1960.

As eleições de 30 de dezembro, com 21 candidatos presidenciais, não se realizaram em todo o território, uma vez que a comissão eleitoral decidiu adiar para 19 de março o ato eleitoral nas cidades de Beni, Butembo e Yumbi, devido à epidemia do Ébola e aos conflitos dos grupos armados.

Inicialmente previstas para 2016, estas eleições de 30 de dezembro tinham sido adiadas duas vezes.

O Presidente cessante, Joseph Kabila, governa desde 2001 um país rico em recursos naturais, mas marcado por crises políticas e por um conflito armado que causou milhões de deslocados.

A RDCongo é o maior Estado da África Central, com 81,3 milhões de habitantes (Banco Mundial, 2017), principalmente católicos.

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