Detida na Grécia nadadora que ajudou a salvar 18 refugiados em 2015

Sara Mardini está detida na prisão de alta segurança Korydallos, acusada de contrabando e participação em organização criminosa. Defesa diz que estava apenas a ajudar numa ONG de apoio a refugiados.

As irmãs Sara e Yusra Mardini saltaram para as luzes da ribalta em 2015, quando deixaram a Síria como refugiadas. Para sair da Turquia e chegar à ilhas de Lesbos, na Grécia, as duas irmãs nadadoras puxaram um barco com 18 refugiados a bordo depois de o motor ter falhado durante a travessia.

Sendo ambas nadadoras de elite, Yusra acabou mesmo por participar nos Jogos Olímpicos do ano seguinte, no Rio de Janeiro, integrando a equipa de refugiados.

A história das duas irmãs, que foram viver para a Alemanha, vai servir de base para um próximo filme do diretor britânico Stephen Daldry. Contudo, agora voltaram a ser faladas mas não pelos melhores motivos.

Sara está detida há uma semana na prisão de alta segurança Korydallos, na Grécia, acusada de contrabando, espionagem e participação numa organização criminosa, crimes alegadamente cometidos desde que ela começou a trabalhar com uma organização não governamental de apoio aos refugiados na ilha de Lesbos. Segundo a lei grega, a jovem de 23 anos pode ser mantida sob custódia até ao julgamento até 18 meses.

"Ela está incrédula", disse a advogada Haris Petsalnikos, que solicitou a libertação. "As acusações são mais sobre criminalizar a ação humanitária. Sara nem estava aqui [Grécia] quando esses supostos crimes ocorreram, mas as acusações são sérias, talvez as mais sérias que algum agente humanitário já tenha enfrentado", frisou, citada pelo The Guardian.

"O que estamos realmente a ver são as autoridades gregas a utilizar Sara Mardini para enviar uma mensagem muito importante de que quem se voluntariar para o trabalhar de refugiados fá-lo por sua conta e risco", disse o advogado internacional de direitos humanos em Londres, Jonathan Cooper, também citado pelo jornal britânico.

Estima-se que 114 organizações não-governamentais e 7356 voluntários estejam sediados em Lesbos, segundo as autoridades gregas, que falam de "uma indústria" com mais de 10 mil refugiados.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?