Foi libertado o autor do atentado mais mortífero da ETA

Santiago Sarasola é culpado por 40 mortes e passou 31 anos detido. Cumpriu 13 anos em França por associação criminosa e posse de armas. Em Espanha, o cúmulo jurídico ascendeu a quase 3000 anos de prisão, mas não chegou a estar 18 atrás das grades. Associações de vítimas de terrorismo criticam libertação do autor do atentado do Hipercor de Barcelona.

Santiago Arróspide Sarasola saiu no domingo da prisão de Topas, Salamanca. "Histórico etarra" (El Mundo), "duros dos duros" (El País), Santi Potros, como é conhecido, apareceu vestido como se tivesse terminado um treino desportivo. Mas não. Exceto por um período de 45 dias, o terrorista de 70 anos esteve preso desde 1987.

Potros foi condenado em Espanha por 11 crimes que totalizaram 40 vítimas mortais. A sentença resultou em quase 3000 anos de cúmulo jurídico, mas em 2006 as condenações foram transformadas numa só e a pena foi fixada em 30 anos de prisão no máximo. Em 2014 foi solto, mas um mês e meio depois voltou para a prisão, condenado por outros dois atentados.

"A partir da primeira vítima é grátis"

"Temos um sistema que dá uma tarifa fixa aos assassinos. A partir da primeira vítima é grátis." O comentário ao El País é de Consuelo Ordoñez, a presidente do Coletivo de Vítimas do Terrorismo (COVITE), cujo irmão, deputado do PP no Parlamento basco, foi assassinado em 1995 em San Sebastián.

Foi o principal responsável pelo atentado mais mortífero da ETA: 21 mortos e 45 feridos no supermercado Hipercor, em Barcelona, em 1987. No ano anterior, também foi o autor principal da explosão em Madrid que matou 12 elementos da Guardia Civil. Num e noutro caso foi usado o mesmo modus operandi, o carro-bomba.

Casado insultado

O presidente do Partido Popular, Pablo Casado, pediu para que ninguém dê as boas-vindas a Santi Potros, "que não teve a decência de ajudar a esclarecer 300 assassínios impunes".

Casado, que se encontrava em Vitoria, no País Basco, quando prestou as declarações aos jornalistas ouviu insultos como "fascista" e "terrorista" de um grupo que o El Mundo avalia em 150 pessoas.

Já o líder dos Cidadãos, Albert Rivera, preferiu transmitir uma mensagem de apoio aos familiares das vítimas.

O governo, através do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, assegurou que iria estar atento a manifestações de apoio a Potros. "Se existir um crime que possa ser incluído na glorificação do terrorismo ou no desprezo às vítimas, obviamente é para isso que servem as forças de segurança do Estado", afirmou à agência EFE.

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João Gobern

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