Causas ainda por determinar no ataque na Holanda

Crime passional ou ataque terrorista? Gökmen Tanis e outro indivíduo foram presos por suspeita de participação no crime que matou três pessoas e feriu cinco em Utrecht.

A polícia holandesa prendeu no final da tarde de segunda-feira um homem suspeito de ter cometido um possível "ataque terrorista" ao alvejar oito pessoas dentro de um elétrico em Utrecht. Três morreram, cinco ficaram feridas, três em estado grave. Um segundo suspeito foi detido, como se pode ler no comunicado da polícia (em neerlandês).

Também no comunicado se esclarece que, "com base nos depoimentos das testemunhas e nos vestígios, o cenário era o de que poderia ser um ataque terrorista". As autoridades não excluem outros motivos, como o de um litígio familiar, como disse um procurador citado pela Reuters. Testemunhas relataram que o atirador tinha como alvo uma mulher e outras pessoas que tentaram ajudá-la.

Antecedentes criminais

Segundo a televisão pública NOS, Gökmen Tanis compareceu em tribunal há duas semanas num caso de violação e tinha antecedentes criminais. À BBC, uma fonte afirma que o suspeito chegou a estar detido por ligações ao Estado Islâmico, tendo sido libertado mais tarde.

Às 10.45, um homem abriu fogo num elétrico na 24 Oktoberplein (Praça 24 de outubro), no centro da cidade, uma das mais importantes do país. Pouco antes do tiroteio, um Renault Clio vermelho foi alvo de carjacking e mais tarde foi encontrado abandonado.

Ao canal Nos, Nicky van Grinsven conta que ouviu um grito lancinante de uma mulher e que quando se aproximou ela disse: "Eu não sinto mais nada, eu não sinto mais nada." Depois ouviu dois tiros oriundos do elétrico e, com outro jovem, arrastou a vítima para trás de uns carros estacionados. Por fim, viu o atirador a correr a poucos metros de distância.

Ao longo do dia, a segurança nos aeroportos e nos edifícios-chave do país, incluindo mesquitas, foi reforçada e o município de Utrecht, no centro da Holanda, aconselhou as escolas da cidade a fechar as portas e os residentes a "ficar dentro de casa".

"Estamos solidários com as famílias das vítimas, com os feridos e com todas as pessoas que estiveram envolvidas no tiroteio desta manhã. Nós amparamo-nos e apoiamos aqueles que choram", disse o presidente da autarquia, Jan van Zanen, através da conta de Twitter.

No início da tarde, as autoridades divulgaram a foto capturada por uma câmara de videovigilância do elétrico. "A polícia está à procura de Gökmen Tanis, 37 anos (nascido na Turquia), em conexão com o incidente desta manhã", comunicou a polícia de Utrecht no Twitter, pedindo ao público para "ficar longe dele".

O homem foi preso no final da tarde. "Acabámos de ser informados de que o suspeito foi preso", anunciou o chefe da polícia de Utrecht, Rob van Bree, no decorrer de uma conferência de imprensa.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, informou que os serviços secretos turcos estavam a recolher informações sobre o o suspeito do tiroteio.

"Se o fez, deve ser punido", disse Mehmet Tanis, o pai do suspeito, à agência de notícias turca DHA. Disse também que não tem contacto com o filho há 11 anos, quando este emigrou.

O nível de ameaça terrorista em Utrecht, que esteve no nível mais alto, foi reduzido num grau, informou a Agência Nacional de Segurança e Contraterrorismo (NCTV), confirmando a prisão do "principal suspeito".

"Não vamos ceder à intolerância", disse o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, numa conferência de imprensa em Haia. "Um ato de terrorismo é um ataque à nossa civilização, à nossa sociedade tolerante e aberta", lamentou.

Aproveitamento eleitoral

O ataque ocorreu na antevéspera das eleições provinciais. Os eleitores são chamados a escolher os representantes nas assembleias das 12 províncias dos Países Baixos. Serão estes quem, por sua vez, irão votar nos 75 membros do Senado holandês, no dia 27 de maio. A coligação governamental detém uma maioria de um assento no Senado.

Thierry Baudet, o líder do novo partido eurocético e nacionalista Fórum pela Democracia, reagiu durante uma reunião ao ataque em Utrecht. "Se não escolhermos um rumo diferente na quarta-feira, isto vai acontecer muito mais vezes", disse, referindo-se às eleições. Segundo Baudet, os holandeses têm sido "laxistas e ingénuos" e os ataques serão muito mais frequentes se a política de integração não for alterada. O Fórum para a Democracia foi o único partido que não suspendeu a campanha na sequência do ataque em Utrecht.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Daniel Deusdado

"Petróleo, não!" Nesta semana já estivemos perto

1. Uma coisa é termos uma vaga ideia de quão estupidamente dependemos dos combustíveis fósseis. Outra, vivê-la em concreto. Obrigado aos grevistas. A memória perdida sobre o "petróleo" voltou. Ficou a nu que temos de fugir dos senhores feudais do Médio Oriente, das oligopolísticas, campanhas energéticas com preços afinados ao milésimo de euro e, finalmente, deste tipo de sindicatos e associações patronais com um poder absolutamente desproporcionado.