Carta de Einstein sobre antissemitismo alemão vendida por mais de 28 mil euros

Albert Einstein transmitiu à irmã, com mais de uma década de antecedência, os seus receios sobre a ascensão do antissemitismo na Alemanha.

Uma carta datada de 1922, onde Albert Einstein dizia recear o crescimento do antissemitismo na Alemanha muito antes de os nazis chegarem ao poder, foi adquirida esta terça-feira por mais de 28 mil euros (32 mil dólares) num leilão em Jerusalém.

"Aqui estão a nascer tempos economicamente e politicamente sombrios, por isso fico feliz em poder afastar-me de tudo", escreveu o físico de 43 anos à irmã, Maria, após sair de Berlim para um local não identificado na carta.

"O que é especial nesta carta é que Einstein realmente prevê - ele percebe com 10 anos de antecedência - o que vai acontecer na Alemanha", observou Meron Eren, co-fundador da leiloeira Kedem Auction House, que vendeu a carta a um comprador não identificado.

Albert Einstein, que três meses depois ganhou o Prémio Nobel, deixou a capital alemã depois de extremistas de extrema-direita terem assassinado o ministro dos negócios Estrangeiros Walter Rathenu, um amigo e colega judeu - com a polícia a avisá-lo de que poderia ser a próxima vítima.

"Ninguém sabe onde estou e acredito em ficar desaparecido", escreveu Einstein, acrescentando: "Estou muito bem, apesar de todos os antissemitas que existem entre os meus colegas alemães."

A carta fala numa viagem planeada por Einstein ao Japão, o que sugere que ele a escreveu enquanto esperava para partir do porto de Kiel (norte da Alemanha).

Quando os nazis chegaram ao poder na Alemanha, em 1933, iniciaram uma campanha de perseguição antijudaica que culminaria no Holocausto.

Einstein acabaria por renunciar à cidadania alemã e ficar a viver nos EUA.

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