HRW. Políticas de Trump, Bolsonaro, al-Sissi e Erdogan devem ser denunciadas na ONU

Apelo da organização não governamental Human Rights Watch coincide com o início da Cimeira da Ação Climática organizada pela ONU em Nova Iorque.

Os líderes mundiais que participam na Assembleia Geral da ONU durante esta semana devem denunciar abertamente as políticas contra os direitos humanos dos presidentes dos EUA, Brasil, Egito e Turquia, defendeu esta segunda-feira a organização não governamental Human Rights Watch (HRW).

O apelo consta de um comunicado da HRW, cujo diretor executivo, Kenneth Roth, pediu aos chefes de Estado e de governo dos países presentes na Assembleia Geral (AG) das Nações Unidas devem denunciar e afirmar a rejeição às "políticas abusivas de autocratas populistas" e "promover maior respeito pelos direitos humanos em todo o mundo.

A organização de defesa dos direitos humanos, com sede em Nova Iorque, referenciou quatro presidentes - Donald Trump, dos EUA, Jair Bolsonaro, do Brasil, Abdel Fattah al-Sissi, do Egito, Recep Tayyip Erdogan, da Turquia - como exemplo de promotores de políticas que têm desencadeado "ataques agressivos" aos direitos humanos.

Os quatro estarão presentes na sessão de abertura da Assembleia Geral da ONU, que decorrerá terça-feira na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.

"O crescimento do autoritarismo é um dos grandes desafios que os ativistas dos direitos humanos enfrentam diariamente. É essencial que os líderes mundiais estejam na abertura dos trabalhos da Assembleia Geral na primeira linha dos que lutam contra os que promovem uma cruzada contra os direitos humanos", afirmou Kenneth Roth.

O presidente egípcio, que Trump considerou em tempos como o seu "ditador favorito", tem estado a "esmagar" a liberdade de expressão e outros direitos básicos nos últimos seis anos, escreve a HRW.

Segundo Kenneth Roth, as violações de al-Sissi incluem o "uso frequente de força letal contra os manifestantes" e "um sistemático e generalizado uso da tortura nas prisões".

Na Turquia, três anos depois da alegada tentativa de golpe de Estado, a presidência de Erdogan normalizou o "estado de emergência", enquanto mais de 40.000 pessoas foram detidas sob a acusação de terrorismo e apenas alguns dos mais de 130.000 funcionários públicos demitidos foram reintegrados.

Por outro lado, os governadores de origem curda ou curdos foram afastados dos cargos no país que está no topo dos que mais jornalistas estão detidos.

Sobre os Estados Unidos, o HRW considera que a administração Trump tem "repetidamente denegrido" os direitos humanos, encorajando a supremacia branca e outros extremismos internos, bem como promove os "líderes abusivos" externamente.

Em relação às alterações climáticas, um dos principais temas em discussão na Assembleia Geral da ONU, o Brasil de Bolsonaro tem dado "luz verde" a "redes criminosas" que estão a destruir a floresta amazónica e a intimidar os ativistas ambientais.

Por outro lado, acusa o HRW, Trump tem "minado ativamente" os esforços internacionais para abordar a questão da crise ambiental.

Hoje, um dia antes do início dos debates na Assembleia Geral, decorre, com a presença do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, uma cimeira sobre as alterações climáticas em que se espera que os 193 membros da instituição possam aprovar políticas destinadas a proteger o planeta e os seus habitantes.

"O grande interesse internacional na Cimeira de Ação em Favor do Clima, promovida pela ONU, constitui uma forte mensagem da repreensão global a líderes como Bolsonaro e Trump", escreve o HRW.

Kenneth Roth alertou, por outro lado, que os discursos dos "líderes abusivos" não se esgotam nas intervenções de Trump, Bolsonaro, al-Sissi ou Erdogan, destacando outros dirigentes e ministros de países com "recordes abismais de violações aos direitos humanos", como a China, Irão Rússia, Arábia Saudita ou Venezuela.

"Numa altura em que aumenta a hostilidade aos direitos humanos por um número crescente de líderes, Guterres não deve temer em usar a Assembleia Geral para acusar e condenar publicamente os vários governos que têm violado sistematicamente os direitos humanos", frisou Kenneth Roth.

O secretário executivo do HRW defende que Guterres "deve aproveitar a oportunidade" para reforçar as normas globais dos direitos, "não se limitando a generalidades, mas sim dar mensagens públicas claras" aos "governos abusivos" de que as violações aos direitos humanos "não serão toleradas".

"Os ativistas dos direitos humanos, por sua vez, devem deixar claro ao secretário-geral da ONU que esperam que Guterres se torne uma voz em defesa dos direitos humanos, denunciando as violações dos vários executivos, "deixando de lado as ineficazes declarações genéricas", lê-se no documento do HRW.

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