Desastre na barragem. Governo multa empresa em 58 milhões de euros

As autoridades brasileiras aplicaram uma multa de 250 milhões de reais (cerca de 58 milhões de euros) ao gigante da mineração Vale, responsável pela barragem que cedeu na sexta-feira, causando pelo menos dez mortos e cerca de 300 desaparecidos.

O Ministério do Ambiente anunciou a aplicação da multa e o montante foi confirmado pela agência noticiosa francesa AFP junto de uma fonte governamental.

A barragem em que ocorreu uma rutura na sexta-feira, em Brumadinho, Minas Gerais, media 86 metros de altura, tinha capacidade para reter 12 milhões de metros cúbicos de resíduos mineiros e tinha sido inspecionada recentemente, assegurou a empresa Vale.

A barragem número um da mina Córrego do Feijão, que conta com três no total, estava a ser desmantelada e já não recebia resíduos há três anos.

Tinha sido construída em 1976, pela empresa Ferteco Mineração e comprada em 2001 pela Vale, um dos líderes mundiais do setor.

O presidente da Vale, Fábio Schvartsman, disse na sexta-feira que a barragem foi inspecionada em 10 de janeiro, sem que fossem detetados problemas de segurança.

Outra inspeção anterior tinha sido realizada em setembro de 2018, pela empresa alemã TÜV SÜD, especializada em ensaios e certificações.

As causas do desastre ainda não foram estabelecidas.

No sábado, já eram conhecidas dez mortes, mas o número deve aumentar consideravelmente, já que cerca de 300 pessoas estão ainda desaparecidas e as hipóteses de encontrar sobreviventes são mínimas, de acordo com as autoridades.

As três barragens serviam para reter os resíduos da produção de minério de ferro, nomeadamente a sílica, terra removida durante o processo de extração.

Com uma capacidade de retenção de 12 milhões de metros cúbicos, o volume do deslizamento de terra que engoliu a área adjacente à mina é muito menor do que o do desastre que matou 19 pessoas em 2015, em Mariana, a 120 quilómetros de distância de Brumadinho, no estado de Minas Gerais.

Na altura, um tsunami de lama de 50 milhões de metros cúbicos varreu uma área de 650 quilómetros e espalhou-se pelo Atlântico, depois de uma barragem da Samarco, uma 'joint venture' entre a Vale e o grupo anglo-australiano BHP, entrar em colapso.

O responsável pela Vale destacou que "a tragédia ambiental deve ser menor que a tragédia de 2015, mas a tragédia humana muito mais importante".

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