Governador do Rio de Janeiro afastado por corrupção

Wilson Witzel, eleito com discurso de implacável contra desvios de dinheiro público, é acusado de promover irregularidades na área da saúde. Mas sucessor no cargo também é alvo da justiça

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) do Brasil determinou, nesta sexta-feira, dia 28, o afastamento imediato do governador Wilson Witzel, do Partido Social Cristão (PSC), por irregularidades na saúde. Além do governador, outras oito pessoas, incluindo a primeira-dama do estado, Helena Witzel, e os dois políticos na linha de sucessão, o vice-governador Cláudio Castro (PSC) e o presidente da Assembleia Legislativa André Ceciliano (PT), também foram implicados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) na operação.

A PGR afirma que foi criada uma "caixinha de desvios", abastecida pelo direção de licitações de organizações sociais. "Agentes políticos e funcionários públicos da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro eram ilicitamente pagos de maneira mensal pela organização criminosa", diz a PGR. No texto é dito ainda que nem a pandemia travou a ãnsia de desvios de Witzel.

A defesa de Witzel disse que "recebe com grande surpresa a decisão de afastamento do cargo, tomada de forma monocrática e com tamanha gravidade". "Os advogados aguardam o acesso ao conteúdo da decisão para tomar as medidas cabíveis", diz a nota.

Witzel foi eleito surpreendentemente nas eleições de outubro de 2018, na onda do que se convencionou chamar de "nova política" e que levou, por exemplo, Bolsonaro à presidência, com base num discurso de combate implacável ao crime e à corrupção.

"O correto é matar o bandido que está de fuzil. A polícia vai fazer o correto: vai mirar na cabecinha e... fogo! Para não ter erro", afirmou Witzel, que é juiz de profissão, durante uma campanha geminada com a de Bolsonaro no âmbito nacional e apoiada localmente por Flávio Bolsonaro, filho do presidente envolvido noitro caso de corrupção.

O clã Bolsonaro, entretanto, rompeu com Witzel em meados do ano passado quando passou a suspeitar que o governador, que nunca escondeu a ambição de concorrer em 2022 à presidência, tentava ligar o nome da família à execução da vereadora Marielle Franco.

Tanto que o presidente rio ao comentar o afastamento. "O Rio está pegando... Está pegando hoje, hein? Está sabendo? O governador já... Quem é o teu governador?", questionou Bolsonaro a um apoiante do Rio entre gargalhadas.

Na sequência, Witzel disse-se perseguido, argumentando que a procuradora responsável pelo caso tem ligações com a família Bolsonaro e que o presidente da República quer atingi-lo por acreditar que pode ser candidato à presidência em 2022. "Estou sendo massacrado politicamente", afirmou.

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