Ghosn nega que família tenha ajudado na fuga que foi planeada durante meses

Procurado pela Interpol, o ex-presidente da Renault-Nissan diz ter organizado "sozinho" a sua fuga do Japão para o Líbano, negando qualquer implicação da sua família. Jornais económicos dizem que fuga foi "preparada durante meses" por colaboradores próximos.

"As alegações feitas na comunicação social de que a minha mulher, Carole, e outros membros da minha família tiveram um papel importante na minha saída do Japão são falsas", afirmou Ghosn, em comunicado enviado à agência francesa de notícias AFP.

"Fui eu quem organizou a minha saída [do Japão]. A minha família não teve nenhum papel" nesta decisão, acrescentou.

Carlos Ghosn, empresário franco-brasileiro de origem libanesa, estava em prisão domiciliária no Japão a aguardar julgamento por, entre outros crimes, evasão fiscal, mas chegou no domingo ao Líbano, informação confirmada pelos serviços de segurança libaneses.

A fuga do Japão, diz o Financial Times, foi preparada por colaboradores de Ghosn durante meses. Citando fontes não identificadas, o jornal diz que foram contratados elementos de segurança privada que trabalharam em vários países para auxiliar na operação.

Ghosn terá usado um avião particular com destino à Turquia e depois ao Líbano, acrescenta o Wall Street Journal. Um órgão de comunicação libanês alegou que Ghosn escondeu-se numa caixa destinada a equipamentos musicais e terá sido essa a forma de sair do Japão sem ser detetado, mas a mulher, Carole Ghosn, reagiu dizendo tratar-se de "uma ficção", sem detalhar mais sobre a fuga do marido.

Há informações que dão conta que entrou no Líbano com um passaporte francês. O objetivo da fuga, dizem os jornais financeiros, era encontrar um ambiente jurídico mais favorável para Ghosn, lembrando que o Líbano tinha iniciado contactos com o governo japonês para que o gestor fosse julgado em Beirute.

A sua equipa jurídica japonesa foi apanhada de surpresa com a fuga. Supostamente, Ghosn tinha entregado todos os seus documentos de viagem aos advogados, mas agora fica a dúvida. "Quero perguntar diretamente a ele - Como nos pode fazer isto?'", questionou o advogado Junichiro Hironaka.

Aparição pública na próxima semana?

Procuradores japoneses efetuaram esta quinta-feira uma rusga em casa do ex-presidente da Nissan, tendo como pano de fundo - segundo a televisão pública NHK - a alegada violação das leis de migração por Carlos Ghosn, que conseguiu deixar o país ilegalmente sem passar pelos procedimentos legais previstos. Relembre-se que o ex-executivo da Nissan tinha visto três passaportes apreendidos (francês, libanês e brasileiro) e estava sob vigilância policial, mas terá usado um segundo passaporte francês para sair do Japão.

Segundo o jornal libanês al-Joumhouriya, Carlos Ghosn terá chegado a Beirute num avião privado proveniente da Turquia. Entretanto, alguns media locais noticiam que Ghosn deverá falar publicamente sobre a sua fuga - e talvez ajudar a desvendar todas as curiosidades - na próxima quarta-feira, 8 de janeiro, em Beirute, capital do Líbano.

Carlos Ghosn, antigo 'chairman' (presidente do conselho de administração) e presidente executivo do grupo Nissan e da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, foi detido em Tóquio em 19 de novembro de 2018 por suspeita de abuso de confiança e evasão fiscal.

O empresário, que esteve detido durante vários meses no Japão, foi, posteriormente, libertado em março de 2019, após o pagamento de uma caução, mas acabou por ser novamente preso, no início de abril, e novamente libertado sob caução e sujeito a condições restritas (prisão domiciliária).

Os advogados e a família de Carlos Ghosn, de 65 anos, têm criticado fortemente as condições da detenção do empresário, bem como a forma como a justiça nipónica tem gerido os procedimentos deste caso.

Ghosn chegou à Nissan em 1999 como presidente executivo para liderar a recuperação do fabricante, com sede em Yokohama, depois de ter oficializado uma aliança com a francesa Renault.

O ministro da Justiça libanês, Albert Serhan, já disse ter recebido um mandado internacional da Interpol para a detenção de Ghosn e adiantou que o aviso vermelho (Red Notice) da Interpol para o antigo presidente da Nissan foi recebido esta quinta-feira de manhã através da procuradoria libanesa.

Os chamados avisos vermelhos da Interpol são solicitações às agências policiais em todo o mundo para que localizem e detenham provisoriamente um fugitivo procurado.

Turquia faz sete detenções

As autoridades turcas detiveram esta quinta-feira várias pessoas suspeitas de ajudar o ex-presidente da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, na sua fuga do Japão, onde estava a ser processado, para o Líbano - via Istambul -, divulgaram os media locais. A agência estatal Anadolu disse que as sete pessoas são suspeitas de ajudar Ghosn durante a passagem por Istambul.

A agência de notícias privada DHA informa que os detidos são quatro pilotos, um gerente de uma empresa de carga e dois funcionários do aeroporto.

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