Fogo provocou pelo menos três mortos no primeiro dia do ano na Austrália

Só na última semana morreram nove pessoas e mais de 200 casas foram destruídas. Temperaturas voltam a subir a partir de sábado.

Pelo menos três pessoas morreram no primeiro dia de 2020 nos incêndios florestais que estão a devastar o sudeste da Austrália, anunciaram as autoridades locais, elevando para 16 o número de mortos desde o início fogos, em setembro. Só nesta última semana, desde o natal, morreram nove pessoas e mais de 200 casas foram destruídas.

O balanço foi avançado em conferência de imprensa, em Sydney, pelo comissário adjunto da Polícia de Nova Gales do Sul, Gary Worboys, que acrescentou que há ainda uma pessoa que está desaparecida e avisou que o número de vítimas poderá aumentar.

Cerca de 50 mil casas estão sem eletricidade na costa sul daquele estado, o mais afetado pelos incêndios e onde cerca de 2 500 operacionais combatem mais de uma centena de fogos, segundo as agências.

As autoridades australianas lançaram uma operação de larga escala para resgatar milhares de pessoas que passaram a noite de Ano Novo cercadas pelos incêndios no sudeste do país. Em cidades costeiras, como Mallacoota, milhares de turistas e moradores locais refugiaram-se nas praias, junto do mar. "Estavámos todos na praia, cobertos de cinzas e de fumo", contou ao The Guardian o antigo jogador de rugby Al Baxter, que se encontra em Malua Beach. "Mas estávamos estranhamente calmos. As pessoas estavam o mais próximo possível do mar."

Navios, helicópteros e aviões militares foram destacados para prestar ajuda humanitária e avaliar os danos causados pelos fogos, após um dos dias mais críticos desde o início da época de incêndios florestais, com a morte de pelo menos três pessoas em 24 horas. As regiões de Victoria e New South Wales foram as mais afetadas. Esta manhã, o fumo era visível no sul da Nova Zelândia, ou seja, a mais de dois mil quilómetros de distância.

Os bombeiros estão esta quarta-feira aproveitar as temperaturas menos extremas e os ventos mais fracos, uma vez que as autoridades preveem que, a partir de sábado, as condições meteorológicas favoreçam novamente a progressão dos incêndios, com temperaturas a ultrapassar novamente os 40º.

O chefe de governo do estado de Vitória, Daniel Andrews, indicou que já foram enviados alimentos, água e combustível para as áreas atingidas pelos incêndios, principalmente na região de Gippsland Oriental. Mas as equipas militares de socorro deverão demorar alguns dias a alcançar zonas mais remotas, acrescentaram.

Os incêndios na Austrália, considerados dos piores das últimas décadas, já queimaram mais de três milhões de hectares desde setembro. Os cientistas explicam que a falta de humidade na vegetação, após um período de seca, tem contribuído para a propagação do fogo. O calor intenso e os ventos fortes fizeram o resto.

O primeiro-ministro Scott Morrison reconheceu que este é "um momento de grande desafio para a Austrália" e sublinhou a resiliência das comunidades, mas não quis focar a sua atenção nas causas dos incêndios: "Quer tenham começado com os raios de uma tempestade ou por outro motivo qualquer, o mais importante é reconhecer o trabalho dos bombeiros e de todos os que estão a ajudá-los, na linha da frente ou na retaguarda, num grande esforço voluntário", disse.

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