ERC quer investidura sem consequências legais para deputados

Governo de Rajoy sugeriu que Ciudadanos tente obter o apoio do Podemos para avançar com candidatura de Inés Arrimadas

A ERC anunciou ontem as suas condições para apoiar a investidura de Carles Puigdemont como presidente da Generalitat. Um anúncio que surge quatro dias depois do adiamento do debate anunciado pelo presidente do Parlament, Roger Torrent, na sequência da decisão do Tribunal Constitucional, que obriga o cabeça de lista da Junts per Catalunya a assistir presencialmente à sessão e a pedir antecipadamente autorização ao juiz do Supremo encarregue do processo sobre a declaração unilateral de independência.

Marta Rovira, a secretária-geral da ERC, disse que o partido quer uma presidência "real" e "efetiva", mas também um processo de investidura que não tenha consequências penais para os deputados.

"Para nós é fundamental que a investidura não implique improvisos, que não se fala sem garantias e que não implique consequências penais para muita gente", declarou Rovira, em entrevista à Agência Catalã de Notícias .

Neste sentido, a número dois de Oriol Junqueras, o ex-vice-presidente da Generalitat, que se encontra em prisão preventiva, divulgou o plano da ERC para que se consiga formar governo. "Ganhar uns dias para conseguir que a investidura seja efetiva é o que realmente nos garante recuperar as instituições, não desperdiçar a maioria independentista no Parlament e não acabar tendo efeitos judicialmente negativos para muitos deputados".

Em Madrid, o porta-voz do governo de Mariano Rajoy sugeriu ontem que o Ciudadanos negoceie com o Podemos para tentar que estes apoiem uma possível candidatura de Inés Arrimadas, a líder dos centristas na Catalunha, à presidência da Generalitat. Mesmo que este apoio viesse a concretizar-se, os oito deputados do En Comú Podem (o Podemos na Catalunha), em conjunto com os votos de Ciudadanos, PP e PSC seriam insuficientes para derrotar a maioria independentista. Mas para Madrid serviria para Roger Torrent ter em cima da mesa um outro candidato além de Puigdemont. O En Comú Podem deixou claro desde o início que se irá abster na votação de qualquer candidato. "Temos a impressão de que Carles Puigdemont não vai voltar a Espanha", declarou Íñigo Méndez de Vigo.

O secretário-geral do Ciudadanos, José Manuel Villegas, voltou ontem a sublinhar que Inés Arrimadas continua sem apoios suficientes no Parlament para ser investida, apesar dos "desacordos" dentro do bloco independentista e do apelo feito pelo governo de Rajoy para que o partido negoceie com o Podemos.

Para Villegas, se o Ciudadanos apresentasse Arrimadas para a investidura, o Podemos "voltaria a estar com os separatistas", sublinhando que, na sua opinião, mesmo que houvesse uma rotura dentro do bloco independentista "estariam de acordo em votar contra Arrimadas".

O PP, através do seu vicesecretário de Política Social, Javier Maroto, considerou que "o normal, o lógico e o democrático é que se permita governar a lista mais votada" nas últimas eleições, ou seja o Ciudadanos. Mas que para isso é preciso que "a lista mais votada se apresente e não fique em casa".

A secretária da Igualdade do PSOE, Carmen Calvo, deixou ontem claro que cabe ao bloco independentista propor um candidato à presidência alternativo a Carles Puigdemont, pois têm a maioria no Parlament.

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