Corbyn admite apoiar um segundo referendo sobre o Brexit

Líder trabalhista promete apoiar a medida se os militantes do seu partido votarem nesse sentido, aumentando a pressão sobre a primeira-ministra Theresa May, cujo plano para a saída do Reino Unido da União Europeia não conseguiu o acordo dos restantes 27

"A nossa preferência vai para uma nova eleição, para podermos depois negociar a nossa relação futura com a União Europeia, mas vamos ver o que sai desta conferência", afirmou este domingo Jeremy Corbyn. Mas o líder do Partido Trabalhista admitiu no programa de Andrew Marr na BBC que está "sujeito à democracia no seu partido" e que se os militantes exigirem um segundo referendo sobre o brexit, ele aceitará a sua posição.

O Labour está reunidos este fim de semana em Liverpool para a sua conferência anual.

Corbyn, que em 1975 votou "não" à entrada do Reino Unido na União Europeia, tem resistido a esclarecer a sua posição sobre um segundo referendo, depois da vitória da saída na consulta popular de junho de 2016. Mas os eventos da semana passada parecem ter mudado o cenário. No Conselho Europeu de Salzburgo, na Áustria, os 27 não deram o seu acordo ao plano apresentado por Theresa May para o brexit, deixando a primeira-ministra britânica numa posição difícil.

A saída do Reino Unido da UE está marcada para 29 de março de 2019.

Eleições antecipadas em novembro?

Este domingo, o The Sunday Times garantia que os assessores estão a pressionar Theresa May para que convoque eleições antecipadas para novembro, com o objetivo de conseguir apoio público a uma eventual nova estratégia do governo.

O semanário citou ainda uma conversa telefónica entre dois membros da equipa da primeira-ministra do Reino Unido, na qual é questionada a necessidade de convocar eleições antecipadas.

No entanto, uma fonte de Downing Street assegurou ao jornal que é "categoricamente incerto" o Governo britânico estar a preparar eleições e negou que estejam a decorrer reuniões para discutir a hipótese.

Em comunicado, Theresa May disse este domingo que é o momento de "manter a cabeça fria" e "controlar os nervos". No documento, a primeira-ministra britânica acrescentou que sempre defendeu que as negociações do brexit seriam difíceis.

Em junho de 2017, Theresa May convocou eleições antecipadas, antes de iniciar as negociações do brexit, perdendo a maioria absoluta que detinha no parlamento.

Ao nível da crise do Suez

De acordo com o The Guardian, Therea May estará a ser alertada por alguns dos seus ministros para o perigo de um hard brexit e as suas consequências nefastas sobre o Reino Unido. Após a primeira-ministra ter visto o seu plano rejeitado pelos 27 no Conselho Europeu na Áustria, algumas figuras do Partido Conservador garantem que Downing Street arrisca uma "calamidade ao nível da crise do Suez".

"É como a crise do Suez. Não fazemos ideias quais vão ser as consequências indesejadas. As próximas três semanas podem mudar tudo. A crise do Suez durou meses e agora estamos noutro possível ponto de viragem na história política do Reino Unido", afirmou uma figura dos conservadores ao The Guardian.

O resultado do descalabro em Salzburgo é que alguns ministros voltaram a falar num acordo de comércio livre com a UE. Um plano que outros membros do governo teme significar o regresso a uma fronteira rígida (hard border) entre a Irlanda e a Irlanda do Norte. E em última instância, à saída desta última do Reino Unido. Um cenário que reacenderia os desejos independentistas da Escócia.

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