Câmara nomeia procuradores para o julgamento de Trump no Senado

A presidente da Câmara dos Representantes anunciou os sete congressistas que vão defender o caso contra o presidente no Senado.

Foi "com muito orgulho" que Nancy Pelosi se apresentou perante os jornalistas para anunciar os representantes que vão transmitir os dois artigos pelos quais Donald Trump foi destituído na Câmara e que irão apresentar o processo. São eles Adam Schiff, Jerry Nadler, Zie Logfren, Hakeem Jeffries, Val Demings, Jason Crow e Sylvia Garcia.

A presidente da Câmara começou por dizer que é "um dia muito importante" e que "tudo tem a ver com o tempo, com a forma como o usamos", para logo depois afirmar que "usar o tempo é marcar a história". Explicou-se: "A Câmara destituiu o presidente. Esperámos para ver como iria correr o processo no Senado. E o tempo tem sido amigo porque tem demonstrado mais provas incriminatórias."

O representante Adam Schiff, que preside à Comissão dos Serviços Secretos da Câmara, acrescentou: "Há um sentido de urgência porque o presidente mostrou que quer fazer batota" para ser reeleito. Porém, lembrou Schiff, o presidente do Senado, Mitch McConnell, "mostrou que não quer que haja um julgamento". "Esta pausa mostrou mais provas e forçou senadores a tomar uma posição", concluiu.

No dia 19 de dezembro Donald Trump foi acusado de abuso de poder e de obstrução ao Congresso, tendo a Câmara dos Representantes aprovado os artigos 230 e 197 contra e 229 votos a favor e 198 contra, respetivamente. Trump é acusado de ter abusado dos seus poderes ao ter condicionado o envio de ajuda para a Ucrânia em troca do anúncio à investigação do filho de Joe Biden, Hunter, que trabalhou na empresa ucraniana Burisma.

O ex-vice-presidente Joe Biden é um dos candidatos à nomeação pelos democratas para concorrer às presidenciais de 3 de novembro, às quais Trump se recandidata.

Presidido pelo presidente do Supremo Tribunal, John Roberts, o julgamento deve começar na próxima terça-feira. O processo não deve ter consequências para Trump. A condenação exige dois terços de votos dos senadores e os republicanos têm a maioria, com 53 eleitos em 100, e não há vozes dissidentes. O julgamento, de caráter político, também não tem consequências penais para o presidente.

Este respondeu de pronto no Twitter, agora a responsabilizar os democratas em maioria na Câmara dos Representantes, de terem feito um trabalho insuficiente. "Aqui vamos nós outra vez, outra vigarice dos democratas que não fazem nada. Todo este trabalho era para ser feito pela Câmara e não pelo Senado!"

Donald Trump impediu vários funcionários da Casa Branca de testemunhar nas audições da Câmara, apesar de terem sido intimados.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG