Boris vê Discurso da Rainha aprovado e vai pedir eleições antecipadas a 12 de dezembro

Discurso da Rainha aprovado pela Câmara dos Comuns com 16 votos de vantagem. Pela terceira vez, primeiro-ministro britânico vai apresentar uma moção para convocar eleições antecipadas para dia 12 de dezembro.

Boris Johnson conseguiu a segunda vitória no Parlamento. O Discurso da Rainha recebeu 310 votos favoráveis e 294 contra, e com isso os deputados pouparam o primeiro-ministro a uma humilhação. Ainda assim, o governo do Reino Unido vai tentar convocar eleições gerais antecipadas, disse Boris Johnson à Sky News. O governo vai apresentar uma moção ao parlamento que será discutida no início da próxima semana.

Minutos depois, o primeiro-ministro anunciou no Twitter ter escrito ao líder da oposição Jeremy Corbyn a explicar porque quer eleições.

"Estes reiterados adiamentos têm sido maus para a economia, maus para os negócios e maus para milhões de pessoas que tentam planear o futuro. Se o setor empresarial presumir que este parlamento vai manter-se paralisado e que recuse assumir responsabilidades mês após mês até 2020 isso irá causar sofrimento a milhões de pessoas", lê-se na carta. "É nosso dever acabar com este pesadelo e dar ao país uma solução o quanto antes e o mais razoável possível."

Boris Johnson propõe as eleições para 12 de dezembro, o que obrigaria à dissolução da Câmara no dia 6 de novembro. Se Jeremy Corbyn se comprometer com as eleições antecipadas, e com o pedido de extensão até ao fim de janeiro aprovada, o governo irá "disponibilizar todo o tempo possível até dia 6 de novembro para o acordo de retirada ser discutido e votado, incluindo sextas-feiras, fins-de-semana" e um horário alargado.

O primeiro-ministro Boris Johnson não pode convocar eleições sem a concordância de dois terços dos deputados da Câmara dos Comuns. Já por duas ocasiões as tentativas foram rejeitadas pelo Partido Trabalhista. Jeremy Corbyn tem dito que só concorda com eleições depois de o perigo de um Brexit sem acordo esteja afastado.

Nesta quinta-feira o Parlamento termina a discussão sobre o Discurso da Rainha (as linhas programáticas do governo) com a sua votação. Boris Johnson, em minoria parlamentar, enfrentou a possibilidade de ver o seu programa rejeitado, o que não acontece há 95 anos. Os liberais democratas introduziram uma emenda para se realizar um referendo ao Brexit, mas o presidente da Câmara John Bercow recusou a emenda.

A emenda do líder da oposição, que é uma crítica ao Discurso da Rainha por não defender a economia britânica nem os serviços públicos, foi rejeitada com 293 votos favoráveis e 311 contra. Já a emenda do Partido Nacionalista Escocês, sobre liberdade de movimentos, e que afirma que um Brexit só deve existir se o parlamento escocês o aprovar, só recebeu 64 votos favoráveis.

Na terça-feira, os deputados votaram pela primeira vez a favor de legislação sobre o Brexit. No entanto rejeitaram o apertado calendário que o governo queria impor, dois dias para debaterem e ratificarem o acordo de retirada. Em consequência, Boris Johnson suspendeu o processo legislativo, aguardando pela resultado do pedido de novo adiamento a Bruxelas.

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