Banqueiro preso na Lava-Jato partilha cela com ratos

André Esteves já foi o 13º mais rico do Brasil mas perdeu o cargo de CEO do Banco BTG Pactual e está detido há três semanas no Rio de Janeiro por participação no escândalo da Petrobras.

A expressão "ascensão e queda" nunca foi tão usada em 500 anos de história do Brasil como nesta segunda década do século XXI, marcada pela ressaca dos anos dourados de Lula da Silva no Planalto. Eike Batista, o dono do império petrolífero X e considerado "O Pelé dos Negócios", passou de oitavo homem mais rico do planeta, segundo a Forbes, a virtualmente falido em dois anos. Marcelo Odebrecht, o "Príncipe da Construção Civil", está detido em Curitiba enquanto a maior empreiteira do país, que leva o seu apelido, amarga prejuízos. E André Esteves, "O Tubarão dos Mercados" que passou de analista de contas a dono do próprio banco antes dos 30, é o mais novo inquilino da cadeia Bangu 8.

Esteves, que como Eike e Odebrecht beneficiou da voragem do mercado chinês da Era Lula e da bênção do então presidente, desejoso de ostentar exemplos em carne e osso de que, além de patrocinador de políticas sociais para os mais pobres, também criava milionários, foi apanhado nas teias da Lava-Jato em finais de novembro. Numa gravação, o senador Delcídio do Amaral, do PT, tentava convencer o filho de um delator da operação a ficar calado em troca de ajuda numa eventual fuga e de generosas mesadas do banco de Esteves, envolvido nos esquemas do Petrolão.

O banqueiro nascido no Rio de Janeiro há 47 anos foi detido horas depois e levado para o subúrbio carioca de Bangu, onde fica uma das mais famosas cadeias do país - é lá que se desenrola a cena do motim que abre o filme Tropa de Elite 2, de José Padilha. Esteves, por ter curso superior, foi colocado em Bangu 8, a mais branda das alas da prisão.

Ainda assim, dorme em cama de cimento, é obrigado a usar um sanitário sem porta e a suportar os ratos atraídos por um aterro sanitário contíguo à prisão. Segundo reportagem da revista Exame, da qual o banqueiro foi tantas vezes capa, "o cheiro das frituras que as mulheres dos detidos compram para os maridos confunde-se com o cheiro das valas de esgoto em torno do presídio".

O banqueiro, que chegou a ser considerado o 13.º homem mais rico do Brasil mas hoje ocupa a 628.ª posição, goza, apesar de tudo, de estatuto especial, como estar sozinho na cela. Esse privilégio, comprovado, associado a rumores, não comprovados, de que recebeu na cela um bacalhau do Antiquarius, luxuoso restaurante do Leblon, levou os carcereiros a rapar as melenas do ilustre prisioneiro. "Não era necessário rapar, mas serve para provar que não há tratamento especial", disse um carcereiro.

Não há previsão para a saída de Esteves da prisão, mas a sua saída do Pactual BTG, que ajudou a fundar, já foi decretada pelo board composto pelos seus ex-braços direitos. André Esteves, o prodígio que enriqueceu no lulismo, é um caso definitivo de ascensão e queda.

São Paulo

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