José Alberto Lemos chumbado para Provedor da RTP: "Fui apanhado numa guerra que não é minha"

Conselho de Administração da RTP e jornalista indigitado e vetado para o cargo de Provedor estão a analisar próximos passos para reagir a 'chumbo' do Conselho de Opinião

No dia em que se conhece a fundamentação do Conselho de Opinião da RTP relativamente ao 'chumbo' de José Alberto Lemos para o cargo de provedor de Televisão, administração da estação pública e jornalista mostram-se incrédulos com os argumentos elencados e estão a definir as próximas etapas para reagir à decisão.

Para José Alberto Lemos, jornalista indigitado para suceder a Jorge Wemans e vetado, não há dúvida: "Fui apanhado numa guerra que não é minha, é entre o Conselho de Administração (CA) e o Conselho de Opinião (CO) presidido por Manuel Coelho da Silva, estou a refutar o parecer, a repor a verdade dos factos e seriedade dos processos", reage ao DN. "Eu e o CA estamos em plena sintonia, estamos indignados, perplexos e revoltados com este processo, que achamos de uma indignidade a toda a prova", afirma o jornalista, que acusa o CO de "extravasar competências" neste documento.

"Não nos conformamos com esta posição do CO, estamos a analisar com cuidado o parecer, para definir próximos passos", anuncia fonte oficial da Administração da RTP, presidida por Gonçalo Reis, que fala em "enorme surpresa" perante o parecer desfavorável emitido pelo órgão que representa a sociedade civil. Achamos incompreensível: José Alberto Lemos cumpre largamente todos os critérios definidos no Estatuto da RTP para ser provedor: mérito profissional, credibilidade e integridade pessoal e experiência na área de comunicação nos últimos cinco anos. É um excelente jornalista, com experiência relevante em televisão, rádio e imprensa, em Portugal e no estrangeiro, na RTP e em outras instituições de referência", acrescenta.

Recorde-se que, em 2017, CA e CO mediram forças com estrondo aquando da nomeação de João Paulo Guerra para provedor do Ouvinte e, em 2010, o mesmo sucedeu com a indigitação e 'chumbo' da professora e da pró-reitora da Universidade do Minho, Felisbela Lopes para a provedoria de Televisão

Parecer "é um misto de invenções, falsidades e episódios caricatos"

O documento que fundamenta o 'chumbo' de José Alberto Lemos reconhece-lhe "o mérito profissional", mas alicerça o voto desfavorável para o facto de "não estarem reunidas as condições mínimas para o melhor exercício prático, concreto e específico das competências dessa função".

Este parecer é "um misto de invenções, falsidades e episódios caricatos", reage José Alberto Lemos, que lembra que o documento se baseia numa audição e não nos procedimentos que estão vertidos na lei. O jornalista rebate ao DN, ponto por ponto, os argumentos desfavoráveis que lhe são apontados pelo CO por "salvaguarda da imagem e dignidade profissional", mas não adianta, para já, se irá tomar medidas mais concretas neste caso. "Não está nada decidido. Para já, é preciso refutar isto e ter uma posição claríssima porque a única coisa que me preocupa é a salvaguarda da minha imagem e a dignidade profissional.", sublinha.

O parecer do CO acusa o candidato, entre muito outros aspetos, de "desconforto" e "acomodação", de não ter apresentado "qualquer ideia ou proposta significativa para dignificar, valorizar e dar visibilidade pública à figura e ao programa do Provedor", "falta de reflexão e agenda própria", "insuficiente sentido crítico", "falta de esclarecimentos e posições claras sobre algumas questões mais fraturantes do papel da RTP".

"Ninguém me colocou nenhuma pergunta sobre isso. Este parecer está repleto de observações a questões que não me foram sequer colocadas", reage José Alberto Lemos."A única questão que posso considerar fraturante foi quando me perguntaram se era favorável à transmissão das touradas, não sou, não me parece que o serviço publico deva transmitir. Embora esteja aberto à discussão sobre isso".

Um dos argumentos para o 'chumbo' defende "dificuldade em refletir e pronunciar-se sobre questões mais recentes da realidade da empresa" por ter saído em 2012, o que José Alberto Lemos contesta, lembrando que houve já provedores que "eram académicos". No que diz respeito às regiões, Lemos rejeita os reparos que lhe são feitos e lembra que quando foi diretor da RTPN, criou um serviço noticioso das ilhas que ainda está o ar, o Notícias do Atlântico. "Não sou de Lisboa, sou sensível às periferias. É caricato, simplesmente caricato", reage o jornalista, considerando o parecer "um exercício de habilidade retórica que, obviamente, foge e distorce o que se passou na audição, e que não tem qualquer aplicabilidade".

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