Mais de 60% dos jovens são-tomenses com mais de 19 anos consomem álcool - estudos

São Tomé 10 jun (Lusa) - Mais de seis em cada dez jovens com mais de 19 em São Tomé e Príncipe consomem bebidas alcoólicas, revelam estudos que concluem que o consumo entre os estudantes está a crescer a um ritmo "assustador", disseram investigadoras.

Mais de 63% dos jovens com mais de 19 anos bebem álcool, disse a investigadora luso-são-tomense Isabel Santiago, responsável por um estudo sobre o consumo de álcool e drogas entre os jovens são-tomenses.

"É elevadíssimo, isso é assustador", concluiu.

Para a cientista, os resultados apontam de um modo geral para toda a população escolar, com o consumo geral de álcool a atingir 58% dos rapazes e 43% das raparigas.

"Todavia, eu fui fracionando esses consumos e dividindo em subgrupos, por idades", concluindo que entre 39 e 46% dos jovens com idades entre 15 e 18 anos consomem álcool, "mais do que deveriam", explica.

"Agora, jovens com mais de 19 anos - e eu já estou a falar de 12ª classe e ensino superior público - bebem mais de 63%, é elevadíssimo", acrescenta Isabel Santiago.

Segundo a autora do inquérito, no ensino noturno e alfabetização, os dados apontam para um consumo de 57%, nos dois géneros (homens e mulheres), enquanto no ensino técnico (frequentado apenas por adultos) o consumo de álcool é de 73%.

"No ensino superior - e aí é também assustador - são 79% de consumidores", sublinha.

O estudo sobre o consumo de álcool nas escolas foi entregue às autoridades governamentais, designadamente ao ministro da Educação, Cultura, Ciência e Comunicação, Olinto Daio, ao parlamento são-tomense e às direções das diversas escolas.

O documento inclui recomendações que apontam para que haja mais atividades de ocupação de tempos livres das crianças "para deslocalizá-las do contexto familiar onde se verifica o consumo de álcool".

Um dos resultados aponta que 56% dos filhos de pais que bebem e 59% dos filhos de mães que bebem consomem mais.

"Ou seja, se eu fosse uma mãe consumidora habitual de álcool, os meus filhos, ao verem-me beber álcool, começa o efeito multiplicador", explicou Isabel Santiago.

A diretora do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT), Ivete Lima, revelou, por seu lado, que em São Tomé e Príncipe já foram feitos quatro estudos que concluíram no "aumento de consumo de drogas e bebidas psicotrópicas no seio de jovens e adolescentes na faixa etária dos 10 a 24 anos".

Os estudos foram realizados em 2010, 2014, 2016 e o quarto estudo realizado este ano pelo Unicef.

O estudo de 2016, realizado pelo Instituto da Droga e Toxicodependência, indica que foram realizados inquéritos na Região Autónoma do Príncipe, no Liceu Nacional (principal centro do ensino do país), no liceu Manuel Margarido, no distrito de Mé Zóchi e na escola de Algés em Cantagalo, terceiro maior distrito do país.

"Nós inquirimos mais de três mil jovens e adolescentes na faixa etária dos 10 aos 24 anos e tivemos uma percentagem bastante elevada em termos de consumo de bebidas alcoólicas, sendo a mais elevada as idades entre os 20 a 24 anos, em que nós detetamos 68% de consumo de bebidas alcoólicas", explicou Ivete Lima.

A proliferação de venda de bebidas alcoólicas, aumento de fabrico de bebidas espirituosas locais, importação descontrolada de bebidas, a desagregação de valores na família são-tomense e festas noturnas são as causas apontadas pelo IDT para o alto consumo de bebidas e drogas no país.

O comando da polícia nacional são-tomense associa o aumento de criminalidade no país ao aumento de consumo de drogas e de bebidas alcoólicas.

Na semana passada, a Policia Nacional anunciou mais de 160 crimes numa semana, ou seja, mais de 22 crimes por dia, destacando-se entre eles a violência domestica, assaltos a mão armada, violação sexual e um caso inédito de uma criança de sete anos que esfaqueou outra de seis anos que foi socorrido no hospital Ayres de Menezes.

Exclusivos

Premium

Liderança

Jill Ader: "As mulheres são mais propensas a minimizarem-se"

Jill Ader é a nova chairwoman da Egon Zehnder, a primeira mulher no cargo e a única numa grande empresa de busca de talentos e recursos. Tem, por isso, um ponto de vista extraordinário sobre o mundo - líderes, negócios, política e mulheres. Esteve em Portugal para um evento da companhia. E mostrou-o.

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.