Zoo de Lourosa em campanha contra tráfico de aves das florestas do sudeste asiático

O Zoo de Lourosa, instalado em Santa Maria da Feira e único parque ornitológico do país, associa-se a partir de sábado a uma campanha internacional contra o tráfico de aves das florestas do sudeste asiático.

A iniciativa é da Associação Europeia de Zoos e Aquários (EAZA), envolve outros parques de vários países e quer pôr fim à captura e venda ilícita de espécies passeriformes originárias de florestas que, devido ao tráfico, estão a ser despojadas de aves canoras.

"Todos os dias há um grande número de aves canoras que são capturadas nas florestas do Sudeste Asiático para serem traficadas como pássaros de estimação ou participarem em competições de canto", disse à agência Lusa a diretora do Zoo de Lourosa, Salomé Tavares. "Muitas dessas aves acabam por morrer logo nos primeiros dias e, à custa destas movimentações ilegais, muitas espécies estão a extinguir-se", realçou a bióloga.

Entre as espécies que a EAZA se propõe proteger com o projeto "Floresta Silenciosa" incluem-se a Cissa (Cissa Thalassira), o Charlatão Preto e Branco (Garrulax bicolor), a Maina de Nias (Gracula robusta) e a Maina do Bali (Leucopsar rothschildi).

O objetivo da campanha é consciencializar o grande público para o silenciamento das florestas, angariar fundos para medidas de conservação que ajudem a prevenir a extinção de espécies ameaçadas e concertar esforços com vista à investigação e implementação de programas de reprodução de aves em risco.

Concretamente no que se refere às florestas ameaçadas, a EAZA pretende também ajudar à capacitação das autoridades locais no sentido de reforçarem a sua intervenção legal de combate ao tráfico, implementar centros de reprodução nos locais onde isso já se revele necessário e apoiar medidas destinadas a melhorar programas de reintrodução de espécies nos seus habitats naturais.

O programa "Floresta Silenciosa" irá assim envolver zoos, parques biológicos e outras instituições ligadas à conservação da natureza, que, até 30 de setembro de 2019, deverão aplicar os princípios gerais da campanha em iniciativas próprias de índole diversa, dinamizando as ações que se revelarem mais ajustadas aos seus púbicos específicos.

No caso do Zoo de Lourosa, em Santa Maria da Feira, distrito de Aveiro, essa sensibilização concretizar-se-á em três domínios: atividades regulares lúdico-pedagógicas, como teatro infantil; oficinas de expressão plástica sobre a floresta asiática e espécies daí oriundas; e divulgação especial sobre a Maina do Bali, ave endémica da Indonésia que, podendo ser observada no parque ornitológico da Feira, se encontra na atualidade "criticamente em perigo".

"No passado foram dizimadas populações inteiras de mainas devido à sua captura incessante para tráfico", revelou Salomé Tavares. "Todos os exemplares desta espécie atualmente existentes em estado selvagem resultaram da reintrodução de aves nascidas em cativeiro, ao abrigo de programas de conservação como o EEP [European Endangered Species Program], em que o Zoo de Lourosa participa", acrescentou.

A preservação da Maina do Bali depende agora da adoção de medidas firmes de conservação 'in situ', o que, segundo os especialistas da área, poderá passar pela "criação de um sistema robusto de monitorização das aves reintroduzidas na floresta - com recurso à radiotelemetria".

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