Web Summit: SafeCloud cria ferramentas para empresas guardarem dados de forma segura

A 'startup' do Porto SafeCloud Technologies vai estar pelo segundo ano consecutivo na Web Summit, que decorre em Lisboa entre 06 e 09 de novembro, apresentando um conjunto de ferramentas que permitem às empresas guardar dados de forma segura.

Esta ferramentas estão direcionadas para "todo o tipo de empresas, como bancos, hospitais e retalhistas, que tenham dados sensíveis e que, por isso, precisem de garantir a máxima segurança e privacidade", disse à Lusa Francisco Maia, um dos fundadores da 'startup' (empresa de base tecnológica em fase de desenvolvimento) e investigador do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência da Universidade do Porto (INESC TEC).

A SafeCloud Technologies oferece às empresas três tipos de soluções, começando pelo SafeCloud Database, que armazena os dados na 'cloud' (nuvem), sempre encriptados e possíveis de aceder em qualquer tipo de rede, seja em casa do colaborador da empresa, seja numa rede pública, explicou o engenheiro informático.

O SafeCloud Storage, por sua vez, é um sistema configurável de armazenamento de dados que permite o suporte simultâneo de diferentes serviços e plataformas de armazenamento.

Já o SafeCloud workspace é um sistema de gestão de ficheiros, com um conjunto de funcionalidades semelhantes a serviços como o 'Dropbox', cujo o acesso "só é permitido a quem tem permissões para e que mantêm os dados protegidos mesmo no caso de um dispositivo ser comprometido", continuou o fundador.

"Nestes casos, os ficheiros e o seu conteúdo estão sempre sob o controlo do legítimo dono", indicou Francisco Maia, acrescentando que estas ferramentas garantem a segurança e a privacidade da informação, na medida em que a fragmenta em pedaços, "que separados são apenas ruído".

Através das ferramentas disponibilizadas pela SafeCloud Technologies, os dados permanecem encriptados em trânsito, tanto durante o processamento como em repouso, podendo assim os utilizadores "tirar o máximo partido de plataformas 'cloud', sem abdicar de fortes garantias de confidencialidade e proteção de dados", assegurou o empreendedor.

A SafeCloud Technologies surgiu no âmbito do projeto europeu SafeCloud, liderado pelo INESC TEC e responsável pelo desenvolvimento da aplicação SafeCloud Photos, que possibilita aos utilizadores finais guardar as fotografias de forma segura e que foi apresentada na edição de 2016 do na conferência mundial de tecnologia Web Summit.

"No primeiro ano em que participamos, sabíamos que tínhamos uma ideia interessante, desenvolvemos a aplicação e queríamos divulgá-la, mas estávamos a aprender", contou Francisco Maia, garantindo que a presença no evento os ajudou "a abrir os horizontes".

A Web Summit "colocou-nos em contacto com pessoas de diferentes áreas, que não só forneceram o 'feedback' sobre a aplicação mas também fizeram um conjunto de perguntas sobre o modelo de negócio, dando-nos o impulso para continuar e mostrando-nos a direção a tomar", referiu.

"Decidimos participar novamente este ano para termos contacto com os investidores, visto que neste momento estamos em condições de procurar a primeira onda de financiamento para nos podermos dedicar a isto a 100% ao projeto", disse ainda o investigador.

A SafeCloud Technologies é constituída por quatro investigadores do INESC TEC e dois da Universidade de Neuchâtel, na Suíça.

Durante este ano, para além do desenvolvimento das ferramentas para as empresas, a equipa entrou num processo de registo de patente para a tecnologia SafeCloud Photos.

Ler mais

Exclusivos

Opinião

DN+ O sentido das coisas

O apaziguamento da arena de conflitos em que perigosamente tem sido escrita a história das relações entre as potências no ano corrente implica uma difícil operação de entendimento entre os respetivos competidores. A questão é que a decisão da reunião das duas Coreias, e a pacificação entre a Coreia do Norte e os EUA, não pode deixar de exigir aos intervenientes o tema dos valores de referência que presidam aos encontros da decisão, porque a previsão, que cada um tem necessariamente de construir, será diferente no caso de a referência de valores comuns presidir a uma nova ordem procurada, ou se um efeito apenas de armistício, se conseguido, for orientado pela avaliação dos resultados contraditórios que cada um procura realizar no futuro.

Opinião

DN+ João

Os floristas da Rua da Alegria, no Porto, receberam uma encomenda de cravos vermelhos para o dia seguinte e não havia cravos vermelhos. Pediram para que lhes enviassem alguns do Montijo, onde havia 20, de maneira a estarem no Porto no dia 18 de julho. Assim foi, chegaram no dia marcado. A pessoa que os encomendou foi buscá-los pela manhã. Ela queria-os todos soltos, para que pudessem, assim livres, passar de mão em mão. Quando foi buscar os cravos, os floristas da Rua da Alegria perguntaram-lhe algo parecido com isto: "Desculpe a pergunta, estes cravos são para o funeral do Dr. João Semedo?" A mulher anuiu. Os floristas da Rua da Alegria não aceitaram um cêntimo pelos cravos, os últimos que encontraram, e que tinham mandado vir no dia anterior do Montijo. Nem pensar. Os cravos eram para o Dr. João Semedo e eles queriam oferecê-los, não havia discussão possível. Os cravos que alguns e algumas de nós levámos na mão eram a prenda dos floristas da Rua da Alegria.

Opinião

DN+ Quem defende o mar português?

Já Pascal notava que através do "divertimento" (divertissement) os indivíduos deixam-se mergulhar no torpor da futilidade agitada, afastando-se da dura meditação sobre a nossa condição finita e mortal. Com os povos acontece o mesmo. Se a história do presente tiver alguém que a queira e possa escrever no futuro, este pobre país - expropriado de alavancas económicas fundamentais e com escassa capacidade de controlar o seu destino coletivo - transformou 2018 numa espécie de ano do "triunfo dos porcos". São incontáveis as criaturas de mérito duvidoso que através do futebol, ou dos casos de polícia envolvendo tribalismo motorizado ou corrupção de alto nível, ocupam a agenda pública, transformando-se nos sátiros da nossa incapacidade de pensar o que é essencial.

Opinião

DN+ A Cimeira da CPLP em Cabo Verde: a identidade e o poder pelo diálogo

Não é possível falar da CPLP sem falar de identidade. Seja ela geográfica e territorial, linguística, económica, cultural ou política, ao falarmos da CPLP ou de uma outra sua congénere, estaremos sempre a falar de identidade. Esta constatação parece por de mais óbvia e por de menos necessária, se não vivêssemos nos tempos em que vivemos. Estes tempos, a nível das questões da identidade coletiva, são mais perigosos do que os de antigamente? À luz do que a humanidade já viveu até agora, não temos, globalmente, o direito de afirmar que sim. Mas nunca como agora foi tão fácil influenciar o processo de construção da identidade de um grupo, de uma comunidade e, inclusivamente, de um povo.