Web Summit: Parcela Já propõe solução para créditos sem juros

A 'startup' portuguesa Parcela Já permite aos consumidores parcelar todas as compras sem juros no seu cartão de crédito e com "rapidez de concessão de crédito imediata e no ponto de venda", afirmou o responsável, Miguel Quintas.

Os consumidores podem escolher pagar as suas compras de forma parcelada entre duas a 12 vezes numa das 70 lojas que trabalham com o sistema tecnológico Parcela Já e não têm nenhum custo acrescido às suas compras, afirmou o responsável do projeto à agência Lusa.

Para os clientes procederem ao pagamento parcelado têm que introduzir o seu cartão de cidadão e o seu cartão de crédito no terminal Parcela Já para efetuar a sua compra, escolhendo em quantas vezes gostariam de fazer o pagamento.

Para finalizar a operação, o consumidor deverá "assinar o talão de compra e guardá-lo consigo", afirmou Miguel Quintas.

As lojas aderentes alugam os aparelhos da marca Parcela Já a um custo de 10 euros mensais.

Segundo o responsável, qualquer loja que tenha presente o "terminal pode fazer o pagamento parcelado" e, reforça que "a vantagem da loja é que recebe logo" o valor do produto comprado.

A empresa fez um acordo com as lojas aderentes e quem está a pagar os custos dos juros das compras é a loja, sendo que uma parte desse pagamento reverte para a empresa e uma outra fatia reverte para o banco BNI.

As lojas que utilizam este terminal e oferecem esta tecnologia aos clientes aumentam as vendas em cerca de 15% porque "os consumidores estão dispostos a comprar mais" e, visto que estão a atrasar o pagamento, os cidadãos "não se importam de comprar algo mais caro", explicou o responsável em resposta à Lusa.

Um em cada quatro clientes, abordados pelas lojas com os terminais, faz a transação no Parcela Já.

De acordo com Miguel Quintas, este modelo "é fácil de replicar" e essa é uma outra vantagem da iniciativa.

A empresa vai estar presente na conferência de tecnologia Web Summit, com o principal objetivo de "trazer um banco que queira efetivamente olhar e perceber como funciona", porque o projeto precisa de ter "milhares e milhares de terminais instalados" e, para isso, "é preciso um banco", explicou Miguel Quintas.

Com a parceria de um banco a organização poderá deixar os seus terminais e esta tecnologia iria ficar ativa nos terminais instalados pelos bancos e a empresa iria crescer, passando este projeto de 70 lojas a estar presente em todas as lojas que utilizem os terminais do banco que tiver parceria com a empresa.

Numa entrevista nas instalações da empresa, o responsável citou que "os patrocinadores devem escolher esta 'startup' "pelo custo de utilizar uma ferramenta destas", que é inferior ao que existe no mercado".

O Banco BNI é parceiro deste projeto e quem financia as operações, porque é uma entidade legal que pode cobrar e pagar às lojas.

A Parcela Já está no mercado há quase três meses e, até ao dia 16 de outubro, já tinham sido feitas "várias centenas de transações", revelou o responsável.

A empresa demorou cerca de dois anos a construir o projeto Parcela Já e o sistema, que tem transações diárias, já está a funcionar.

A Web Summit realiza a segunda edição em Lisboa, de 06 a 09 de novembro.

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