Santuário de Fátima elogia obra da escultora Clara Menéres

O Santuário de Fátima elogiou hoje a obra da escultora Clara Menéres, que morreu na quinta-feira, destacando que trabalhou em "momentos-chaves" da vida da instituição.

Segundo uma nota do Museu do Santuário de Fátima, disponibilizada na página na Internet do templo, Clara Menéres "trabalhou no Santuário de Fátima por diversas vezes e em momentos-chave da vida do santuário da Cova da Iria".

"Entre as suas peças mais contempladas está Santa Jacinta Marto, escultura criada para o túmulo da vidente de Fátima, quando da sua beatificação, em 2000, pelo papa João Paulo II", adianta a nota, assinada pelo diretor do Museu do Santuário de Fátima, Marco Daniel Duarte, destacando que nesta obra "sobressai a erudição que caracteriza a escultora, de mão segura na composição e artista muito informada sobre a biografia da criança que retratava".

Já no presépio que em 2010 criou para a Basílica da Santíssima Trindade, Clara Menéres "assumiu a escala daquele templo e projetou, aliando a modelação e a criação multimédia, um dos conjuntos escultóricos mais apreciados pelos peregrinos do Santuário de Fátima", adianta a mesma nota, sublinhando que, "usando linguagens diversas no tratamento dos vultos escultóricos --- os corpos através da síntese e os rostos através da gentil figuração --- apresenta as imagens da Sagrada Família, levemente policromadas, com serena sensibilidade".

O museu lembra ainda que "foi a esta escultora que o Santuário de Fátima recorreu para celebrar, através de uma peça artística, o Centenário das Aparições do Anjo, em 2016", adiantando que "sobre a porta da capela do Anjo da Paz, Clara Menéres esculpiu a figura angélica como um pontífice ou patriarca, na senda do entendimento destas figuras nas fontes bíblicas, e colocou-lhe uma pomba na mão direita e um ramo de oliveira, virado à terra, na outra mão".

"Também a Clara Menéres o Santuário de Fátima recorreu como conselheira artística, nomeadamente quando a chamou a integrar os membros de júri de importantes concursos, como o que levou à criação das esculturas de Francisco e Jacinta (no recinto de oração) e à criação das obras de arte do novo presbitério inaugurado em 2016", acrescenta.

Segundo o diretor do museu, "a temática de Fátima pontuou a vida da autora de 'Jaz Morto o Menino de Sua Mãe'", peça que "marcou o Portugal de 1973 por se traduzir num manifesto político anti-Guerra Colonial" e que esteve no Santuário de Fátima numa exposição temporária, "porquanto trabalhou por diversas vezes a temática da Virgem de Fátima".

A obra de Clara Menéres "situa-se, de facto, entre a modelação a investigação do mundo e do transcendente", realçou ainda Marco Daniel Duarte.

A escultora Clara Menéres, de 74 anos, cuja vida e obra ficaram marcadas pela religiosidade, morreu na quinta-feira, ao princípio da noite, numa unidade hospitalar em Lisboa, disse hoje à agência Lusa fonte da família.

A artista, de origem minhota, será sepultada no Cemitério de Santo Estêvão de Barrosas, no concelho de Lousada.

De acordo com a mesma fonte, Clara Menéres estava ainda ativa e a última peça da sua autoria foi a estátua de João Paulo II, inaugurada na altura da Páscoa, numa rotunda da Maia, no Porto.

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