Primeiro troço de autoestrada em Timor-Leste inaugurado hoje no sul do país

Timor-Leste tem a partir de hoje, na zona sul do país, os seus primeiros 30 quilómetros de autoestrada, parte de um amplo projeto de investimento para o desenvolvimento da economia nacional.

"Este é um marco importante no desenvolvimento da infraestrutura rodoviária de Timor-Leste e na conectividade física do nosso país", disse hoje na inauguração o ministro de Estado da Presidência do Conselho de Ministros e ministro do Petróleo e Minerais em exercício, Agio Pereira.

"A autoestrada é importante não apenas para apoiar a indústria petrolífera de Timor-Leste, mas também para o desenvolvimento de outros setores como a agricultura, a pesca e os minerais, para facilitar o fluxo e o transporte de pessoas, produtos e materiais e para estimular as pequenas empresas e criar novos empregos e oportunidades", afirmou.

Agio Pereira falava na cerimónia de inauguração do primeiro troço da autoestrada que ligará Suai e Beaço, futuros polos nevrálgicos da economia timorense.

A autoestrada, uma ligação de 151,6 quilómetros, com duas faixas em cada sentido, entre as vilas de Suai e Beaço, ao longo da costa sul, ainda está em fase de construção, tendo hoje sido inaugurado o primeiro troço - 30,4 quilómetros entre Suai e Fatukahu/Mola.

"Esta artéria contribuirá significativamente para o crescimento económico a longo prazo do país", frisou.

Em declarações à Lusa, Agio Pereira sublinhou o muito que foi conseguido e considerou a obra um sinal "do milagre" que tem sido o desenvolvimento de Timor-Leste - que em 2019 cumpre 17 anos desde a restauração da independência.

"Mais do que asfalto, cascalho e areia", disse, a obra é a "concretização de uma visão e o cumprir de uma promessa" que começou com a crença dos timorenses serem "capazes de construir um futuro melhor para a nação.

A obra faz parte de um projeto mais ambicioso conhecido como Tasi Mane (Mar Homem, uma referência ao mar mais agitado da costa sul, em contraste com o Tasi Feto, ou Mar Mulher, o mais calmo da costa norte).

O Tasi Mane é um projeto de desenvolvimento de toda a costa sul do país que inclui a construção da Base de Apoio de Suai - zonas logísticas, residenciais e industriais -, a refinaria de Betano, uma unidade de processamento de Gás Natural Liquefeito (GNL), um porto e o gasoduto até ao campo Greater Sunrise, no Mar de Timor.

"O projeto foi desenhado para estabelecer a indústria nacional de petróleo e associadas infraestruturas de apoio, desenvolvimento de competências e capacidade de prestação de serviços, tornando-se num importante motor da economia de Timor-Leste", referiu.

"Esta autoestrada faz parte de um projeto integrado plurianual que engloba três agrupamentos industriais e infraestruturas adicionais para cada agrupamento, situados ao longo de um corredor de 155km na costa sul, prolongando-se desde o Suai, a oeste do país no distrito de Covalima, até Beaço, a leste no distrito de Viqueque.

A primeira fase da obra, no valor de 298 milhões de dólares, foi adjudicada à China Overseas Engineering Group, a que se somam mais quase 10 milhões em pagamentos por expropriações, o que implicar que o custo dos primeiros 30 quilómetros da obra se cifrou nos 10,17 milhões por quilómetro.

O primeiro troço que liga Suai a Fatukahu/Mola, estende-se ao longo de 30,4 quilómetros e engloba dez pontes, quatro interseções, 20 viadutos, 20 caixas de drenagem e 60 passagens hidráulicas. O segundo troço deve começar a ser preparado em 2019.

O projeto arrancou em 2011 com estudos técnicos, prosseguiu com a identificação, aquisição e compensação de mais de 289 hectares de terras e propriedades para o projeto.

Falta ainda concluir três troços da ligação, os 34,3 quilómetros entre Faticai e Dotik, os 42 quilómetros entre Dotik e Buikarin e os 36 quilómetros entre Buikaran e Beaço.

Se o preço por quilómetro se mantiver, o Governo ainda terá que gastar aproximadamente mais 1,2 mil milhões de dólares na obra, nota o instituto La'o Hamutuk.

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