Presidente da República recebe carta aberta com exigências do Baixo Alentejo

Cinco entidades do Baixo Alentejo entregaram hoje ao Presidente da República uma carta aberta a exigir a requalificação do IP8 e a eletrificação da ligação ferroviária entre Beja e Casa Branca "o mais rápido possível".

A ACOS - Associação de Agricultores do Sul, a Associação do Comércio, Serviços e Turismos do distrito de Beja, a Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo, o Instituto Politécnico de Beja e a Associação Empresarial do Baixo Alentejo e Litoral (AEBAL) são as entidades subscritoras da carta aberta.

A carta, dirigida ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ao primeiro-ministro, António Costa, e ao ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, foi hoje entregue pelo presidente da AEBAL, Filipe Pombeiro, durante a visita do Chefe de Estado à feira de agropecuária Ovibeja.

Filipe Pombeiro também entregou a carta ao ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, e ao Comissário Europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas, que acompanhavam Marcelo Rebelo de Sousa na visita.

Na carta, as entidades alertam para "o problema das acessibilidades" ao Baixo Alentejo e manifestam "o seu repúdio e desagrado pelos sucessivos atrasos, que têm ocorrido nos últimos anos, no que respeita a alguns dos investimentos estruturantes" para a região, nomeadamente a requalificação do IP8 e a eletrificação do troço ferroviário entre Beja e Casa Branca da Linha do Alentejo.

As entidades referem que "não conseguem entender" porque razão "não se inicia de uma vez por todas" a requalificação do Itinerário Principal (IP) 8, que está "um perigo para quem circula" pela via.

As cinco entidades também referem que "não podem aceitar" que a ligação ferroviária entre Beja e Casa Branca "não seja, de uma vez por todas, eletrificada, permitindo que o transporte ferroviário seja uma opção válida e capaz para os passageiros, para uma ligação intermodal com o aeroporto de Beja e, numa perspetiva futura, como complemento ao troço entre Sines e Caia".

As mesmas entidades exigem que aquelas "questões mais urgentes e prioritárias sejam resolvidas o mais rápido possível" e "equacionadas ainda em sede de reprogramação" do programa de fundos comunitários Portugal 2020, "atendendo" a que as verbas envolvidas são "bastante pouco expressivas", tendo em conta "os efeitos positivos que têm na economia e na qualidade de vida dos cidadãos".

"Gostava que nos pudesse ajudar neste desígnio" relativo a projetos que são "muito importantes para o desenvolvimento" do Baixo Alentejo, disse Filipe Pombeiro a Marcelo Rebelo de Sousa, depois de lhe ter entregado a carta.

Em declarações aos jornalistas, o Chefe de Estado disse trata-se de uma carta aberta "até muito contida e muito moderada" e com reivindicações que "já fazem sentido há muito" tempo.

Questionado sobre o que pode fazer em relação às reivindicações como Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa disse que tem "a certeza" que o Governo acompanha as suas preocupações e as dos deputados pelo círculo de Beja sobre os projetos abordados na carta.

"Agora, vamos ver se é possível concretizar nestes pontos passos que são importantes a juntar a muitos outros que estão a ser dados na educação, na formação profissional, na agricultura, na agroindústria, nos serviços, no comércio e que explicam porque é que Beja está, realmente, a dar uma grande volta como o Alentejo e como Portugal", disse Marcelo Rebelo de Sousa.

Já o ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, disse que o Governo, "de acordo com as disponibilidades, designadamente financeiras, não deixará de atender" às "legítimas aspirações e justas reivindicações" expressas na carta.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.