Presidente da CAP defende regresso ao projeto da barragem do Alvito

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) defendeu hoje o regresso ao projeto de construção da barragem do Alvito para assegurar maior sustentabilidade da agricultura no Vale do Tejo e maior independência em relação a Espanha.

"Temos de pensar um pouco em grande. Tornarmo-nos um pouco mais independentes de Espanha. (...) A relação com Espanha, eu diria que é boa, mas eu creio que não chega termos boas relações com Espanha. (...) Precisamos de ambicionar ter alguma maior independência, de assegurar um Tejo com uma regularização diferente, uma sustentabilidade, em termos de volume e de caudais, diferente", disse Eduardo Oliveira e Sousa, no Congresso do Tejo III-Mais Tejo, Mais Futuro, que decorre até sábado, em Lisboa.

Como "não é possível criar barragens no Tejo", o presidente da CAP defendeu a necessidade de se "pensar, por exemplo, na barragem do Alvito de novo" (no rio Ocreza, afluente do Tejo, num local em que os concelhos de Castelo Branco, Vila Velha de Ródão e Proença-a-Nova fazem fronteira).

"A barragem do Alvito, no rio Ocreza, na margem direita do Tejo, que é um projeto antigo, que aliás estava na base do plano de desenvolvimento do Alentejo, era a solução para regar o Alentejo antes do projeto do Alqueva, esta barragem estará no cerne de uma solução para o próprio Tejo", defendeu.

O Governo anunciou em abril de 2016 o cancelamento da construção das barragens do Girabolho, no rio Mondego, e do Alvito, no rio Ocreza (Beira Baixa), dois projetos do Plano Nacional de Barragens que tinha sido lançado nos executivos de José Sócrates.

"Hoje em dia estamos mais preocupados em consolidar aquilo que se faz do que propriamente sonhar em crescer. No Vale do Tejo praticam-se cerca de 130/140 mil hectares de agricultura de regadio. Se pensarmos no Tejo no futuro, potenciando outras regiões com base no Tejo, nós podemos pensar num empreendimento que pode atingir 250 ou mais hectares", salientou.

Eduardo Oliveira e Sousa destacou a região do Oeste, "que pela primeira vez, desde há dois anos para cá, começa a sentir problemas graves de falta de água e é uma região onde não há capacidade nem de água em subsolo nem de armazenamento de água em quantidade que possa sustentar aquilo que já ali se pratica".

"Está ali o coração da exportação da fruta nacional que hoje é emblemática em mercados internacionais", disse.

Uma barragem como a do projeto do Alvito poderia "promover todas as vertentes que o Tejo pode potenciar, assegurar um melhor abastecimento à região urbana de Lisboa e arredores e assegurar o abastecimento de água à região do Oeste", afirmou.

"Pode, numa situação futura, estender-se à região da margem esquerda, já na península de Setúbal. Estou a falar da Moita e do Montijo, toda aquela região de regadio com alguma intensidade, que usa água do subsolo", acrescentou.

O dirigente considerou ainda que "o problema que se coloca sempre, que são os problemas financeiros, não se colocará face à nossa posição na União Europeia, ao valor estratégico que um assunto desta natureza pode ter e à importância que teria para manter populações ativas e a atividade intensificada em toda a região a montante de Lisboa, evitando ainda mais o êxodo que se tem vindo a verificar".

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