Portugal ajuda São Tomé a localizar embarcação desaparecida há mais de um mês

O governo são-tomense pediu a Portugal que ceda um navio hidrográfico para procurar uma embarcação que terá naufragado há cerca de um mês entre as ilhas de São Tomé e de Príncipe, disse hoje o ministro da Defesa, Arlindo Ramos.

Segundo o ministro são-tomense, a pesquisa no fundo do mar com o uso de sonares irá permitir verificar se a embarcação Santo António está no percurso habitual que o navio fazia entre as duas ilhas.

"Já solicitamos o apoio de Portugal que em outubro vai nos enviar um navio hidrográfico para nos permitir localizar o navio, caso esteja no fundo do mar", disse Arlindo Ramos.

O governo são-tomense tem sido confrontado com várias críticas e acusações de que "não tem feito nada" para esclarecer o desaparecimento do navio Santo António durante uma ligação entre as duas ilhas.

"Nós fizemos as buscas durante dois dias com os meios ao nosso alcance mas, entretanto, vimo-nos na necessidade de socorrermos aos países vizinhos para nos apoiar", disse o ministro, referindo-se ao apoio solicitado aos países da região.

"Até hoje não podemos tomar uma decisão clara sobre o navio, mas nós fizemos todas as démarches necessárias junto aos nossos parceiros, não obstante os escassos meios que temos", sublinhou.

"Nós pertencemos a uma zona de intervenção a nível da segurança marítima denominada Zona D que é composto por vários países nomeadamente Costa do Marfim, Gabão, Congo, RDC, Angola, Guiné Equatorial, que nós solicitamos apoio para busca e localização desse navio", explicou o ministro.

As autoridades são-tomenses pediram apoio a um navio francês e uma embarcação de pesquisa petrolífera mas até agora não foi possível localizar o navio.

Na última sessão parlamentar para discussão do orçamento retificativo de 2017 o assunto voltou a ser tema político com o deputado do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP) António Barros a contestar o governo.

"Eu posso afirmar que 90% das diligências que o governo diz ter feito é mentira. As buscas não foram feitas", disse António Barros.

"Não há sinais de que o navio tenha sido naufragado, por isso nós não podemos divulgar uma informação concreta sobre essa matéria porque ainda precisamos de outros dados. Os sinais que apresentaram não são suficientes para declararmos se o navio está no fundo do mar", esclareceu o governante.

"É preciso continuarmos a trabalhar mais e estamos a fazer esses trabalhos com os nossos parceiros, com os nossos amigos", disse Arlindo Ramos.

O navio Santo António, também chamado de "Ferro-Ferro", desapareceu a 19 de junho, depois de partir do porto de São Tomé com destino a ilha do Príncipe. A capitania dos portos só viria a confirmar o desaparecimento da embarcação cinco dias depois.

Santo António transportava 87 toneladas de carga diversas, incluindo combustível e tinha a bordo oito marinheiros. Mas informações mais recentes indicam que o navio tinha a bordo pelo menos 12 pessoas.

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