População agrícola em Cabo Verde diminui quase 18% em 11 anos

O número de agricultores diminuiu quase 18% em Cabo Verde em 11 anos, onde atualmente um em cada três pessoas dedica-se à prática da agricultura, revelou um estudo apresentado hoje na cidade da Praia.

Os dados constam do V Recenseamento Geral da Agricultura (RGA), que concluiu que em 2015 um total de 182.396 pessoas (34,8% da população) praticavam a agricultura em Cabo Verde, menos 17,9% do que os 222.254 de 2004, ano em que tinha sido realizado o último estudo.

O estudo, cuja recolha direta foi feita pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) entre novembro de 2015 e março de 2016, revelou que o país contava com 45.399 explorações agrícolas familiares, um aumento de 2,1% em relação ao último recenseamento.

De acordo com o documento, o país tinha 42.470 famílias em que pelo menos um membro praticava a agricultura, totalizando 182.396 pessoas e correspondendo a 34,8% da população.

No que diz respeito à população agrícola, o estudo notou um equilíbrio de género, sendo 50,9% de mulheres e 49,1% de homens, e que dois terços (65,1%) vivem no meio rural e 34,9% no meio urbano.

Segundo o recenseamento, o quinto do género realizado em Cabo Verde, a maioria da população ativa (71,6%) na agricultura tem entre 20 a 65 anos, tendo também um equilíbrio de género, com 50,3% de homens e 49,7 de mulheres.

Relativamente aos concelhos e ilhas, o recenseamento notou que a maioria das explorações agrícolas (59,1%) localiza-se na ilha de Santiago, também a maior do país, sendo 13,6% no concelho de Santa Catarina, interior da mesma ilha.

O estudo concluiu que o país tem um total de 74.944 parcelas agrícolas, que ocupam uma área de 34.456 hectares, o que corresponde a 9,1% do território nacional cultivado, sendo aqui menos 1,9% do que o último recenseamento.

Em relação ao ano de 2004, a investigação concluiu que houve uma diminuição das parcelas agrícolas de sequeiro (16,8%%), mas em contrapartida as de regadio aumentaram significativamente 18,4%.

Também as explorações agrícolas familiares de sequeiro diminuíram (1,7%) enquanto as de regadio aumentaram 22,2%, o que quer dizer que há mais gente a praticar a agricultura irrigada em relação ao ano de 2004 em Cabo Verde.

Em declarações aos jornalistas, Inussa Barry, apresentador dos dados e diretor de Estatísticas do Ministério da Agricultura e Ambiente, justificou a diminuição do número de parcelas agrícolas com a expansão demográfica e a urbanização do país.

Presente na apresentação, o ministro das Finanças cabo-verdiano, Olavo Correia, destacou a importância do recenseamento, considerando que a agricultura deve ser vista como um meio de rendimento e de combate à pobreza e também ser um setor competitivo e inovador.

Sublinhando o número de pessoas que vivem da agricultura (quase 35% da população), o ministro referiu a necessidade de se trabalhar numa lógica empresarial, com um sistema que potencie o setor, combatendo a informalidade e exclusão financeira dos agricultores.

As ideias de Olavo Correia foram reforçadas pelo colega da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, que destacou a importância dos dados para a governação, para os produtores e para definição da estratégia de desenvolvimento do setor agrário em Cabo Verde.

O ministro salientou que os dados confirmam as características da estrutura agrária cabo-verdiana e que são bases para o país poder desenvolver um sistema estatístico agrícola permanente e não apenas de 10 em 10 anos.

Pelo número de pessoas que emprega, o ministro disse que a agricultura é a principal atividade económica do país, mas sublinhou que ainda enfrenta muitos desafios, com destaque para o aumento da produção, para ser maior do que os atuais 7,2% do Produto Interno Bruto (PIB).

O ministro destacou também o aumento da agricultura de regadio, mas sublinhou o facto de quase 50% das dos agricultores não terem a posse dos terrenos, afirmando que o Governo terá de definir uma política de apoio às famílias para terem a titularidade dos terrenos.

Melhor gestão da água, organização da atividade, sustentabilidade, melhor integração com outros setores, criação de rendimento foram outros desafios do setor apontados pelo ministro.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.