Pedro Zamith expõe 28 desenhos em "Wall of Fame" em Lisboa

O espaço Apaixonarte, em Lisboa, inaugura na sexta-feira uma intervenção artística de Pedro Zamith, que contará com 28 desenhos a esferográfica e duas pinturas em cartão, sob o mote "Wall of Fame".

Em declarações à agência Lusa, o artista Pedro Zamith explicou que "não é propriamente uma exposição, é mais uma intervenção artística numa parede", que surgiu a convite da arquiteta e responsável pelo espaço Apaixonarte, Cláudia Cordeiro.

A mostra "Wall of Fame" ("Muro da fama", em tradução livre do inglês) - que se trata de um "projeto circunstancial"- reúne uma série de desenhos, em formato A4, elaborados pelo artista durante dois anos e cujas personagens são inspiradas na sua vivência social.

"Comecei a fazer os desenhos há dois anos, sem grande propósito, simplesmente fui fazendo com o intuito de ir ao encontro do meu tipo de discurso", disse Pedro Zamith, acrescentando que "todos os tempos mortos que tinha, agarrava na esferográfica e começava a desenhar".

O artista afirmou que o discurso dos seus projetos está "muito ligado às cidades" e "às personagens que existem nas cidades".

Nascido em 1971, em Lisboa, Pedro Zamith especializou-se na área da Cenografia, na Escola Superior de Teatro e Cinema, em Lisboa, e no final de 1999 concluiu a licenciatura em Pintura, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.

Pedro Zamith escreveu e desenhou os livros "Frank Sinatra", em 2003, e "Louis Jordan", em 2004, para a editora Francesa Nocturne.

As suas obras, individuais e coletivas, já foram expostas em vários locais como no Centro Cultural de Belém, no Museu de Berardo, no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Pavilhão de Portugal, entre outros.

A última exposição individual da sua obra foi realizada em novembro do ano passado, na Galeria António Prates, em Lisboa.

Quanto a projetos futuros, está prevista a realização de uma exposição individual, em Setúbal, e uma mostra coletiva, na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, com datas por divulgar.

Pedro Zamith salientou ainda o lançamento de um livro de desenhos em conjunto com o artista António Salvador Carvalho, seu amigo há mais de 20 anos.

O livro "é uma espécie de novela gráfica" e resulta de "uma mistura de esferográfica com tinta-da-china", explicou Pedro Zamith.

Além do livro, Pedro Zamith e António Salvador Carvalho vão fazer uma exposição, com inauguração prevista para setembro, na Galeria Bangbang, em Lisboa.

A mostra "Wall of Fame" abre portas ao público às 18:00 e ficará patente até ao dia 08 de junho na Rua Poiais de São Bento, situada entre o eixo Bairro Alto e Santos/São Bento.

Exclusivos

Premium

história

A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.