Oposição em São Tomé pede ao PM que se demita ou que se imponha como chefe do Governo

O líder parlamentar da Ação Democrática Independente (ADI), na oposição em São Tomé e Príncipe, apelou hoje ao primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, para que se demita ou que assuma as suas responsabilidades como chefe do executivo.

Em conferência de imprensa na sede do partido, na capital são-tomense, o responsável do partido da oposição disse que "volvidos dois meses e meio de governação, o povo assiste a um descalabro" e "o país a caminhar para um cenário de difícil situação".

"Violação grosseira da Constituição e das leis; despedimento em massa, pondo em causa pais de família; fragmentação da sociedade; partidarização excessiva da administração pública, tudo contrário ao que defendeu o candidato Jorge Bom Jesus", acusou Abenildo de Oliveira.

O ADI pede a Jorge Bom Jesus que "seja coerente com os seus princípios, agindo de acordo com os valores que defende", apontando como "a primeira saída" a demissão do primeiro-ministro "para não se sujar muito mais" com aquilo que está a acontecer.

Na opinião da Ação Democrática Independente, não querendo demitir-se, o chefe do executivo deve então "bater a mão na mesa, assumir que é líder do partido, assumir que é líder do Governo e pôr cobro ao desmando e à violação da lei e da Constituição".

O responsável aponta outra alternativa ao chefe do executivo - e que considera ser a mais prejudicial para o país: "Fazer de conta que nada está a acontecer, lavar as suas mãos como Pilatos, fazer vista grossa, considerar que está tudo bem e deixar do jeito que está".

Jorge Bom Jesus lidera desde o início de dezembro passado um Governo composto por membros do partido a que preside - Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social Democrata (MLSTP-PSD) - e da coligação PCD-UDD-MDFM, na sequência de uma coligação pós-eleitoral, que conseguiu uma maioria na Assembleia Nacional, com um total de 28 deputados, após as eleições legislativas de 07 de outubro de 2018.

A ADI, então no poder, foi o partido mais votado nas legislativas, alcançando 25 assentos na Assembleia Nacional, mas não conseguiu formar Governo.

O primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, continua a percorrer o país à procura de contribuições dos cidadãos para elaborar o Orçamento Geral de Estado (OGE), que prometeu entregar em março para discussão na Assembleia Nacional.

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