Latitudes junta literatura e viajantes em Óbidos de quinta-feira a domingo

O segundo encontro de literatura e viajantes Latitudes vai decorrer em Óbidos, entre quinta-feira e domingo, numa edição que antecipa as comemorações dos 500 anos da viagem de circum-navegação que Fernão Magalhães fez entre 1519 e 1522.

Viagens "escritas, faladas, ilustradas e animadas" são a proposta para a segunda edição do Latitudes, festival que vai reunir na vila "nomes sonantes da literatura e das viagens", disse à Lusa Celeste Afonso, diretora executiva de Óbidos Cidade Criativa da Literatura da UNESCO.

Depois de o ano passado ter avançado com uma edição zero, com orçamento zero, a organização avança agora com o momento "da afirmação" do festival e dos parceiros que contribuirão para "um programa muito forte", afirmou a mesma responsável.

Lançamentos de livros, exposições, oficinas e experiências literárias para os mais novos, música e conversas sem tempo marcam o programa que, segundo a Câmara Municipal de Óbidos, dá "o pontapé de saída para o Ano Magalhânico, que celebra os 500 anos da viagem de circum-navegação que Fernão Magalhães fez entre 1519 e 1522".

"Piratas a bordo: embarcar na circum-navegação" é precisamente o desafio lançado ao público escolar, enquanto o público em geral é também convidado a lançar mão á escrita, através da participação em várias oficinas.

Uma deles será coordenada pela jornalista e escritora brasileira Lívia Aguiar, atualmente em residência literária em Óbidos e que orientará os interessados em produzir textos e imagens "a partir da errância das ruas de Óbidos", explicou Celeste Afonso.

Outro terá como protagonista Raquel Ochoa, vencedora do prémio literário revelação Agustina Bessa-Luís em 2009, e com vários romances publicados, que fará uma oficina de escrita criativa, gratuita, no domingo, último dia do festival.

No que toca a residências literárias, destaque ainda para a presença da poetisa e narradora Begoña Calejón, no âmbito de uma parceria com Granada, Cidade Criativa da Literatura.

Inaugurada na segunda-feira, no Dia Mundial do Livro, a Casa José Saramago recebe nesta edição grande parte da programação do festival, sendo palco de lançamento de livro, mesas redondas e conversas entre viajantes e o público.

Patrícia Campos apresentará ali o seu livro "Onze/Nove - A Minha América Latina" e, por sua vez, Miriam Augusto e Tiago Fidalgo têm preparada uma sessão sobre Descentralização e Sustentabilidade em Viagem.

José Manuel Marques, presidente da Estrutura de Missão das Comemorações Magalhânicas, e Gérman Guerrero, embaixador do Chile em Portugal, vão estar à conversa sobre "Fernão de Magalhães -- Do Atlântico ao Pacífico", moderada pelo jornalista João Ferreira Oliveira.

No programa, há lugar ainda para a apresentação de projetos cinematográficos de Albert Flechoso, realizador da "Odisseia das especiarias", de António Galey, realizador de "O Mundo de Magalhães", produzidos por Fernando Centeio, Zulfimes.

Parceiros desde a primeira edição, os Urban Sketchers Portugal e o Grupo do Risco vão ocupar o átrio do Auditório Municipal da Casa da Música com uma exposição intitulada "Óbidos Vista pelos UrbanSketchers".

O Grupo do Risco promove a apresentação do livro "Expedição Príncipe" e a Conferência "Olhares em redor do património cruzado de Portugal e Marrocos", por José Paula.

Na música destaque para o concerto de música chilena do século XX, com composições para guitarra de Violeta Parra, com Alejandro Escobar, agendado para a Casa José Saramago, ocupada durante todo os festival com a exposição de Fotografia "A Latitude do Olhar", de Pedro Mota e David Rollan.

Com o patrocínio da Via Verde e um orçamento de cinco mil euros, o evento lança este ano o prémio Latitudes Viagens & Vantagens, visando eleger e premiar os melhores trabalhos de literatura digital (blogues) com temas de turismo e viagens, publicados sobre Portugal.

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